
Mortes por Sarampo na Pensilvânia: Aumento de Casos e Vacinação
Duas mortes de não vacinados ressaltam a urgência da vacinação contra o sarampo na Pensilvânia, onde casos atingem o nível mais alto em 35 anos.
Reprodução Redes Sociais
Duas pessoas não vacinadas contra o sarampo faleceram devido ao vírus na Pensilvânia, conforme relataram autoridades de saúde. Neste ano, o estado registrou 393 casos desse vírus altamente contagioso, enquanto os surtos nos Estados Unidos alcançaram o nível mais alto em 35 anos. Em Lancaster County, local das recentes mortes, apenas 85% das crianças em idade de jardim de infância estão vacinadas contra o sarampo. Esse número está bem abaixo dos 95% necessários para garantir a imunidade de rebanho, o que ajudaria a limitar a propagação da doença e a proteger pessoas imunocomprometidas. Vale lembrar que, no ano passado, duas crianças não vacinadas no Texas morreram em um surto de sarampo que infectou mais de 1.000 pessoas, a maioria delas crianças. "Esse é um problema sério e crescente em nosso país e em nosso estado," disse o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, durante uma coletiva de imprensa na terça-feira. "Essas doenças e mortes causadas pelo sarampo são completamente evitáveis." Ele acrescentou que a vacina tríplice viral (MMR), que protege contra caxumba, sarampo e rubéola, é a melhor ferramenta para prevenir doenças e mortes. As autoridades optaram por não divulgar mais informações sobre as identidades das pessoas que faleceram, incluindo se eram crianças, que enfrentam um risco maior de complicações e morte em decorrência do sarampo. Nos Estados Unidos, foram confirmados 2.777 casos de sarampo em 2026, apenas sete meses após o início do ano, um aumento em relação ao pico do ano passado, que foi de 2.289 casos. Esse crescimento no número de casos ocorre em meio a um aumento da hesitação em relação às vacinas nos EUA, o que resultou em taxas de imunização mais baixas. O país recomenda duas doses da vacina para crianças entre 1 e 6 anos, que é 97% eficaz na proteção contra a doença. No início deste mês, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que pede a redução do número de vacinas para crianças e sugere dividir a vacina MMR em três injeções separadas. Especialistas em saúde pública estão preocupados que essa ordem cause confusão em relação a uma vacina que já é segura e eficaz, além de trazer custos adicionais. Essa ordem executiva foi emitida após o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., ter adotado uma série de medidas para reformular as políticas de vacinação nos EUA ao longo do último ano, incluindo a revisão do calendário de vacinação infantil. Muitas dessas mudanças foram bloqueadas por um juiz federal no início deste ano. Kennedy, um cético em relação a vacinas, tem transmitido mensagens contraditórias sobre a vacina MMR, apoiando-a em alguns momentos e, em outros, espalhando alegações não comprovadas sobre sua segurança. Durante a coletiva de imprensa na terça-feira, Shapiro comentou que conversou com Kennedy por telefone naquela manhã e que ele havia se oferecido para enviar profissionais dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Shapiro declarou que foi "muito direto" com Kennedy sobre a questão das vacinas. "Deixei muito claro que suas ações e a retórica que vem dessa administração estão tendo um impacto negativo nas comunidades em todo o país… que há consequências reais na vida decorrentes da disseminação de desinformação," afirmou Shapiro. Os EUA estão a caminho de perder seu status de país que eliminou o sarampo, o que será determinado por um painel em novembro. O Canadá já perdeu esse status no ano passado.


