Morgan Stanley Rebaixa Recomendação para Vibra e Ultrapar

Após forte valorização, Morgan Stanley ajusta recomendações para Vibra e Ultrapar, refletindo mudanças no setor de combustíveis na América Latina.

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Morgan Stanley Rebaixa Recomendação para Vibra e Ultrapar
Reprodução Redes Sociais

08/10/2026, 10h26
Atualizado há cerca de 30 minutos

Após um período de forte valorização das ações das distribuidoras de combustíveis, o Morgan Stanley chegou à conclusão de que a maior parte da melhora nos fundamentos do setor já está refletida nos preços dessas ações.

O banco decidiu rebaixar a recomendação da Vibra Energia (VBBR3) de overweight, que significa uma exposição acima da média (equivalente a comprar), para equal-weight, ou seja, uma exposição em linha com a média (considerada neutra). No caso da Ultrapar (UGPA3), a mudança foi de equal-weight para underweight, o que indica uma exposição abaixo da média (equivalente a vender). Além disso, a visão do banco para o setor de distribuição de combustíveis na América Latina passou de “atrativa” para “em linha”.

Esse movimento acontece mesmo após uma revisão para cima nas projeções de resultados e nos preços-alvo. Para a Vibra (VBBR3), o preço-alvo para o final de 2027 foi elevado de R$ 41 para R$ 43, o que sugere um potencial de valorização de cerca de 14% em relação ao fechamento de R$ 37,55. Já para a Ultrapar (UGPA3), o preço-alvo subiu de R$ 34 para R$ 36, mas isso representa uma queda potencial de cerca de 7% em relação aos R$ 38,73 do fechamento anterior.

Os índices futuros dos EUA estão recuando, impactados pela forte alta do petróleo.

Os analistas do Morgan destacam que as empresas parecem estar “precificadas à perfeição”. Eles observam que a expectativa de expansão das margens e o ganho de participação de mercado se concretizaram mais rapidamente do que o previsto, resultando em uma assimetria positiva menor para o futuro.

Uma parte significativa dessa melhoria se deve ao ambiente regulatório. Nos últimos 18 meses, os distribuidores informais, incluindo aqueles que operavam de forma ilegal, perderam cerca de 5,5 pontos percentuais de participação no mercado, conforme apontado pelo Morgan Stanley. Isso permitiu que os operadores formais capturassem volumes e aumentassem sua rentabilidade, com as margens subindo de aproximadamente R$ 150 por metro cúbico para mais de R$ 200, sem contar os ganhos extraordinários dos últimos dois trimestres.

O banco mantém uma visão otimista em relação à agenda regulatória para 2027, apostando em novas medidas para coibir práticas ilegais. Entre essas medidas, estão a tributação monofásica de impostos estaduais sobre o etanol e uma fiscalização mais rigorosa da mistura obrigatória de biodiesel. Contudo, o ponto aqui é que essa melhora já estaria, em grande parte, incorporada às estimativas e preços de ações.

Além das mudanças regulatórias, as distribuidoras se beneficiaram de uma combinação excepcional no mercado de diesel.

As tensões no Oriente Médio apertaram o mercado global, levando os crack spreads do diesel a alcançarem máximas históricas de US$ 110 por barril. Desde o início do conflito, a média dos preços ficou em torno de US$ 70 por barril, cerca de quatro vezes superior à média dos últimos 15 anos.

Simultaneamente, a Petrobras (PETR3; PETR4) vendeu diesel no mercado interno a preços inferiores à paridade de importação, criando uma oportunidade de arbitragem para as grandes distribuidoras. As empresas de maior porte se destacaram, aproveitando sua capacidade de capital de giro e financiamento para importar combustíveis, além de suas maiores cotas de compra.

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