
Montenegro em Berlim: Diálogo é a Chave para a Paz no Irã
Primeiro-ministro apela por negociações entre EUA e Irã, visando resolver conflitos no Oriente Médio e fortalecer laços comerciais com a Alemanha.
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Na última terça-feira, o primeiro-ministro Luís Montenegro fez um importante apelo na Alemanha, pedindo a retomada das negociações entre os Estados Unidos e o Irã. O objetivo é claro: buscar uma solução para a guerra no Médio Oriente, que teve início em 28 de fevereiro após ataques israelitas e americanos. Durante uma coletiva ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz, na Chancelaria Federal em Berlim, Montenegro destacou a importância de respeitar e fortalecer a via diplomática e negociadora.
"Os conflitos não se resolvem com o aumento da divisão", enfatizou. Para ele, a solução reside na capacidade de diálogo entre as partes envolvidas. "Precisamos convencer aqueles que estão errados sobre os erros que estão cometendo" e incentivá-los a "realinhar suas decisões", acrescentou.
Embora tenha feito um forte apelo à diplomacia, Montenegro também criticou a postura do Irã, que tem utilizado o Estreito de Ormuz como uma arma, bloqueando a navegação em uma área crucial para o comércio global de petróleo. Essa ação tem contribuído para o aumento dos preços da energia em todo o mundo. "O que o Irã está fazendo é absolutamente inaceitável e tem consequências diretas para o comércio internacional", afirmou o primeiro-ministro. Ele também condenou os ataques de Teerão contra os países do Golfo Pérsico, que, segundo ele, carecem de uma justificativa compreensível.
O foco, para Montenegro, deve ser garantir a regularidade das trocas comerciais, especialmente no contexto da participação de Portugal no movimento internacional para reabrir o Estreito de Ormuz. "Precisamos centrar nossos esforços na paz, em vez de nos perdermos em polêmicas que não resolvem nada", acrescentou.
No que diz respeito à situação internacional, Montenegro expressou sua sintonia com a Alemanha e a Europa no apoio à Ucrânia, tanto na esfera política quanto econômica e militar. Ele defendeu que a Europa deve continuar ao lado de Kiev, pois isso é essencial para assegurar o futuro, preservar os direitos dos cidadãos e garantir a capacidade de desenvolvimento econômico.
Montenegro e Merz também concordaram sobre a necessidade de fortalecer o pilar europeu da NATO. O primeiro-ministro português recordou que, no ano passado, Lisboa antecipou em quatro anos a meta de investir 2% do PIB em defesa. "Foi um esforço significativo em termos de mobilização de recursos, mas é a concretização do compromisso que assumimos na cimeira da NATO", ressaltou.
Além de consolidar o debate político, a visita de Montenegro a Berlim teve como um dos principais objetivos aprofundar as relações comerciais com a Alemanha, que é um dos principais parceiros econômicos de Portugal. Entre 2021 e 2025, as exportações portuguesas de bens e serviços para o mercado alemão cresceram, em média, 12,9%, enquanto as importações aumentaram 7,1%. A Alemanha ocupa o terceiro lugar como destino das exportações de Portugal e é o segundo maior fornecedor do país.