Moedas da América Latina: Oportunidade Segura em Carry Trade
Com a volatilidade em queda, as moedas latino-americanas se destacam como as mais promissoras para operações de carry trade em 2026.

A volatilidade das moedas nos mercados emergentes atingiu seu nível mais baixo desde o início do ano, reacendendo o interesse pelas operações de 'carry trade'. Isso é especialmente verdadeiro para as moedas da América Latina, que têm se destacado por oferecer retornos bastante atrativos. A região apresenta taxas de juros mais elevadas em comparação com a maioria dos outros países emergentes, permitindo que investidores tomem empréstimos em moedas com juros baixos e invistam em moedas que oferecem um prêmio maior.
Além disso, as moedas latino-americanas se destacam entre os emergentes na relação entre carry e risco, um critério bastante utilizado pelos investidores. A América Latina também possui uma vantagem adicional diante da recente escalada do conflito envolvendo o Irã, já que muitos países da região são exportadores de petróleo, o que os torna relativamente protegidos dos impactos da alta nos preços dessa commodity.
Chris Turner, chefe global de mercados do ING Bank, comenta: “As moedas latino-americanas voltam a se destacar entre as de melhor desempenho no mercado cambial.” Ele acrescenta que “a baixa volatilidade cambial está direcionando recursos de carry trade para uma região um pouco menos exposta ao choque de energia do que Europa, Oriente Médio e África (EMEA) e Ásia.”
Neste ano, as moedas latino-americanas têm proporcionado os melhores retornos nas estratégias de carry trade entre os mercados emergentes. Uma operação financiada em dólar e aplicada no peso colombiano acumulou um retorno de 22%. Outra, voltada para o real brasileiro, rendeu 12,9%, enquanto uma estratégia envolvendo o peso argentino avançou 12,8%. Em contrapartida, operações realizadas com o zloty polonês, a rupia indonésia e o baht tailandês tiveram perdas de pelo menos 5%.
Vale ressaltar que a volatilidade global das moedas disparou com o início da guerra envolvendo o Irã, no final de fevereiro, mas vem apresentando uma tendência de queda desde então. Um indicador de volatilidade implícita de um mês para moedas emergentes caiu na última quinta-feira ao menor nível desde janeiro, conforme um índice do JPMorgan Chase. Esse recuo no indicador se deve, em parte, aos esforços dos bancos centrais para conter oscilações excessivas no câmbio, além da diminuição das tensões comerciais.
Uma volatilidade menor é crucial para as operações de carry trade, pois diminui o risco de que movimentos adversos nas moedas possam anular os ganhos gerados pelo diferencial de juros. O real brasileiro, por exemplo, lidera entre as moedas emergentes na relação entre carry e risco, com um índice de 1,33, de acordo com uma lista elaborada pela Bloomberg que inclui 27 moedas. O peso colombiano ocupa o terceiro lugar, com 1,31, e o peso mexicano está em quinto, com 0,91. Essa relação é calculada com base na diferença entre as taxas de juros de três meses da moeda alvo e da moeda de financiamento, dividida pela volatilidade implícita.
