Modelo Milei: Ajuste Fiscal Inadequado para o Brasil, Dizem Especialistas
Análise de especialistas revela que o modelo de ajuste fiscal argentino não se aplica à realidade econômica brasileira, destacando diferenças cruciais.
Data e Hora Atual: 19/09/2026, 11:03:01
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Atualização: 19/09/2026, 09h48
A discussão sobre a necessidade de um ajuste fiscal no Brasil tem gerado consenso entre especialistas, mas a ideia de replicar o modelo do presidente argentino, Javier Milei, foi considerada inadequada para a realidade brasileira. Essa foi a conclusão a que chegaram os analistas consultados pelo Broadcast, ao serem questionados sobre a viabilidade de aplicar as políticas econômicas do país vizinho no Brasil e quais poderiam ser as suas repercussões.
Contexto Atual
O tema ganhou destaque recentemente, especialmente após a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, ter elogiado o modelo argentino. Durante um evento promovido pelo Grupo Esfera, na última segunda-feira (14), ela afirmou que a abordagem de Milei poderia servir como um “ótimo exemplo” para o Brasil.“Milei é um bom modelo quando se trata de recuperar a capacidade de investimento e de reduzir a burocracia e os impostos,” comentou. Daniella também mencionou que Flávio havia instruído sua equipe a trabalhar na revogação de tributos que foram criados ou aumentados durante o governo Lula, e até já mapeou mais de mil normas nesse sentido.
Divergências entre os Modelos
Entretanto, os especialistas divergem da ideia de que a chamada "fórmula motosserra" de Milei poderia ser aplicada aqui. Eles apontam duas razões principais: as diferenças significativas entre os dois países em termos de tamanho, legislação, e um Orçamento que é mais regulado pela Constituição, além do contexto econômico distinto. Embora o Brasil necessite de ajustes, a avaliação é de que não enfrenta uma crise tão severa quanto a da Argentina antes da chegada de Milei ao poder.“Estamos lidando com situações completamente diferentes. A economia argentina não se compara à brasileira, e, quando Milei introduziu o ‘Plano Motosserra’, a realidade da Argentina era outra,” afirma César Bergo, economista e professor da Universidade de Brasília.
Considerações Finais
Seguindo essa linha de raciocínio, Marcus Pestana, presidente da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, ressalta que o Brasil não está no seu “fundo do poço”. Ele argumenta que tentativas de cortes radicais enfrentariam resistência tanto do Judiciário quanto do Congresso.“O apoio na Argentina surgiu porque as pessoas entenderam que, em uma crise aguda, precisariam fazer sacrifícios para se recuperarem. Aqui, o cenário é diferente. Além disso, muitas das normas que impactam o Orçamento público brasileiro estão previstas na Constituição. Na Argentina, a judicialização é menor, e muitos dos cortes que Milei implementou seriam barrados no Poder Judiciário aqui. Isso representa uma diferença significativa,” analisa.
As declarações de Daniella Marques não passaram despercebidas e geraram até críticas do ex-presidente argentino Alberto Fernández, que é amigo pessoal do atual presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Fernández não hesitou em condenar a tentativa de setores da direita brasileira de adotar políticas inspiradas na administração de Javier Milei.
