Ministro da Saúde de Cuba alerta sobre crise humanitária iminente
O ministro da Saúde de Cuba afirma que o país está a caminhar para uma crise humanitária catastrófica, dizendo que o bloqueio dos EUA ao petróleo no país está a tornar os hospitais impotentes e a colocar milhares de vidas em risco.

As autoridades cubanas alertam que o sistema de saúde do país está à beira do colapso, amplificado pelo bloqueio dos Estados Unidos que limita o fornecimento de petróleo à ilha. A crise, já crônica, agora se agrava com a escassez alarmante de suprimentos, pessoal e medicamentos. As ambulâncias enfrentam dificuldades para obter o combustível necessário para atender emergências, enquanto os cortes constantes de eletricidade complicam ainda mais as condições nos hospitais.
Os voos que antes traziam suprimentos essenciais pararam de operar, já que Havana não consegue reabastecer os aviões nos aeroportos. Especialistas alertam que essa situação pode precipitar uma crise humanitária, pedindo ações dos líderes para proteger os civis. Em entrevista à Associated Press, o ministro da Saúde, José Ángel Portal Miranda, enfatizou que as sanções dos EUA afetam não apenas a economia, mas também a segurança humana básica. Ele afirmou: "Não se pode prejudicar a economia de um Estado sem afetar os seus habitantes. Esta situação pode pôr vidas em risco."
Atualmente, cerca de 5 milhões de cubanos com doenças crônicas enfrentam o risco de interrupção em seus medicamentos e tratamentos. Isso inclui 16.000 pacientes de câncer que necessitam de radioterapia e outros 12.400 em tratamento de quimioterapia. As áreas de cuidados cardiovasculares, ortopedia, oncologia e atendimento a pacientes críticos, que dependem de suporte elétrico, estão entre as mais afetadas. Além disso, serviços de emergência e tratamentos para doenças renais também estão comprometidos.
A crise energética, que já perdura há anos, atingiu um novo nível no mês passado, após o presidente dos EUA, Donald Trump, assinar uma ordem executiva impondo tarifas a qualquer país que forneça petróleo a Cuba. Essa medida foi anunciada logo após Trump depor o presidente venezuelano Nicolás Maduro, interrompendo o fluxo de petróleo da Venezuela para a ilha. Atualmente, Cuba produz apenas 40% do seu combustível e depende fortemente de aliados como Venezuela, México e Rússia, cujos suprimentos estão se esgotando. Trump tem declarado que sua principal expectativa é promover uma mudança de regime em Cuba, intensificando a pressão econômica sobre a ilha, que já lida com décadas de sanções. A pressão de Washington sobre Havana começou após acusações de que a ilha estaria prestando serviços de segurança a Maduro em troca de apoio.


