Ministro da Defesa de Portugal rejeita exército europeu
Nuno Melo defende priorização do orçamento da defesa na NATO e debate sobre operação naval no Estreito de Ormuz.
Nuno Melo, o ministro da Defesa de Portugal, expressou sua oposição à ideia de um exército europeu. Para ele, a prioridade deve ser o fortalecimento do orçamento da defesa dentro da NATO. "Precisamos dar melhores condições aos nossos militares, além de modernizar e aprimorar infraestruturas e equipamentos, para estarmos à altura das missões que nos são delegadas", destacou o ministro em uma conversa com jornalistas em Bruxelas, durante a reunião dos ministros da Defesa da União Europeia (UE). Ele também enfatizou que essa visão não é nova e que, apesar de sua posição, é possível que a União Europeia trabalhe em aspectos essenciais de uma defesa comum.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, que presidiu a reunião, fez um apelo por uma produção de defesa europeia mais ágil. "Estamos concentrados em inovação e em projetos conjuntos, pois existem muitos planos em diferentes Estados-Membros que não conseguem se integrar", observou Kallas. Ela também alertou sobre a necessidade de incentivar os Estados-Membros a realizarem "mais compras conjuntas".
Apesar do financiamento disponível, Kallas manifestou preocupação com a produção da indústria de defesa, afirmando: "Os países têm muitos recursos financeiros, mas a indústria de defesa não está aumentando sua produção". Durante o encontro, os ministros debateram o apoio europeu à Ucrânia e a situação no Médio Oriente.
Um dos tópicos abordados foi o mandato da operação naval da UE, conhecida como EUNAVFOR ASPIDES. Nuno Melo indicou que ainda não foram tomadas decisões sobre o envio de meios navais portugueses, enfatizando que essa é uma questão a ser analisada no momento adequado. Kaja Kallas também mencionou a possibilidade de expandir a operação ASPIDES para o Estreito de Ormuz, ressaltando que são necessárias "mais embarcações, mais navios".
Alguns Estados-Membros prontificaram-se a contribuir com mais navios para a operação. Vale lembrar que a ASPIDES foi criada em fevereiro de 2024 em resposta a ameaças à segurança marítima no Mar Vermelho, e seu mandato foi prorrogado até fevereiro de 2027.


