Milei Critica ONU e Defende Soberania das Malvinas em Discurso
No discurso na ONU, Javier Milei destaca a ineficácia da organização e reafirma a luta pela soberania das Ilhas Malvinas, exigindo negociações com o Reino Unido.
Na Assembleia Geral da ONU, realizada nesta quarta-feira (23), o presidente argentino, Javier Milei, não poupou críticas à organização, chamando-a de “inútil” por sua ineficácia em fazer valer suas próprias resoluções. Ele destacou, em particular, a questão da soberania das Ilhas Malvinas, que ocupou um espaço central em seu discurso. Milei exigiu que o Reino Unido retome as negociações sobre a exploração dos recursos naturais da região. “É uma organização inútil, disfarçada de burocratas”, afirmou Milei. “Optaram por ignorar a questão das Ilhas Malvinas. Para nós, as Malvinas são uma causa nacional.” O presidente argumentou que a situação das ilhas é um reflexo da desconexão entre as decisões dos organismos internacionais e a sua efetividade. Ele destacou que a ONU deveria se comprometer a respeitar o direito internacional e a defender a soberania das nações, promovendo um espaço onde os conflitos fossem resolvidos pacificamente, em vez de por meio da força. “A ONU se comprometeu a fazer respeitar o direito internacional, defender a soberania das nações e oferecer um fórum onde os conflitos fossem resolvidos por meio da cooperação, em vez de serem resolvidos instantaneamente pelas armas”, disse. Milei enfatizou que a questão das Malvinas serve como um teste para a ONU, desafiando sua capacidade de fazer valer as decisões da Assembleia Geral. Ele mencionou a Resolução 3149, aprovada há 50 anos, que pede tanto à Argentina quanto ao Reino Unido que evitem mudanças unilaterais enquanto a disputa pela soberania permanecer em aberto. “Cinquenta anos depois, a situação não mudou, mas as mudanças unilaterais continuam”, apontou. “Atualmente, o projeto Sea Lion avança na extração de petróleo na plataforma continental argentina correspondente à Bacia Norte das Malvinas, utilizando licenças britânicas que a Argentina considera ilegais e ilegítimas.” O presidente reiterou a necessidade de que o Reino Unido retome as negociações sobre a exploração dos recursos naturais das ilhas. Em outra parte de seu discurso, Milei abordou o tema da inteligência artificial, defendendo que a cautela em relação aos avanços tecnológicos não deve se transformar em medo ou justificar um aumento do controle estatal. “Trazendo Adam Smith: a inteligência artificial será a fábrica de alfinetes do século XXI — e muito mais”, declarou. “Ela tem o potencial de revolucionar nossas economias, a medicina, a educação e até mesmo a maneira como governamos.” Ele questionou as propostas de regulamentação preventiva da inteligência artificial e alertou para o poder que seria concedido ao Estado ao assumir o controle sobre a inovação. “Conceder a ele o controle sobre a inovação é conceder a alguns, no melhor e mais ingênuo dos casos, a faculdade de limitar aquilo que os demais podem criar”, afirmou. Nesse sentido, Milei expressou a ambição da Argentina em se tornar um destino competitivo para o desenvolvimento da inteligência artificial, ressaltando que o país dispõe de “minerais críticos, energia, talento e capacidade” para integrar toda a cadeia de valor.