Milão: Exemplo de Recuperação Ambiental na Europa
A cidade italiana se destaca ao plantar três milhões de árvores, visando melhorar a qualidade do ar e revitalizar áreas urbanas até 2026.
Milão, uma das cidades mais poluídas da Europa, está se transformando em um exemplo de recuperação ambiental. Com um plano ambicioso para os próximos quatro anos, a metrópole italiana irá plantar três milhões de árvores e arbustos, uma iniciativa que promete purificar suas ruas cobertas de smog. Um ranking de qualidade do ar, divulgado em outubro, posicionou Milão na sétima posição entre as dez cidades mais poluídas do mundo, sendo a única da Europa na lista da IQAir.
A localização de Milão na baixa Bacia do Pó dificulta a circulação do ar, contribuindo para a poluição. Além disso, a agricultura intensiva e as emissões de uma região fortemente industrializada agravam o problema. A Fondazione Forestami, organização responsável pelo projeto, destaca que aumentar os espaços verdes nas ruas, coberturas e fachadas é uma das maneiras mais econômicas e eficazes de filtrar partículas finas, refrescar a cidade e melhorar a qualidade de vida dos moradores.
Desde seu início, em 2019, o projeto de reflorestação urbana já plantou cerca de 640 mil árvores e arbustos. Esse esforço rendeu ao arquiteto italiano Stefano Boeri, mentor da ideia e criador da famosa floresta vertical de Milão, um prêmio da European Lung Foundation (ELF) por sua dedicação à melhoria da qualidade do ar.
Recentemente, o projeto foi reconhecido como uma Iniciativa Emblemática Mundial de Restauração pela ONU. O anúncio foi feito no dia 29 de outubro, durante a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP17), em Erevan, Armênia. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) explicou que esse título reconhece os esforços de Milão para reintroduzir a natureza em uma das áreas metropolitanas mais densamente povoadas e poluídas da Europa, comprometendo-se a plantar aproximadamente uma árvore para cada residente e recuperar uma área equivalente a cerca de 350 campos de futebol.
“A iniciativa está ampliando o acesso a espaços verdes, envolvendo estudantes e revitalizando locais como antigas zonas industriais, estacionamentos e áreas de armazenamento”, destacou o UNEP. As Iniciativas Emblemáticas Mundiais de Restauração reconhecem projetos ambiciosos que visam restaurações em grande escala e a longo prazo, contribuindo para o compromisso global de recuperar um bilhão de hectares de ecossistemas degradados até 2030.
O Forestami foi um dos apenas cinco projetos a receber esse título na COP17, sendo o único na Europa. Os outros projetos premiados incluem iniciativas de recuperação de zonas úmidas na Colômbia e a Green Seattle Partnership, dedicada à restauração de parques urbanos em Seattle. A ONU afirmou que a natureza está voltando, mas o progresso precisa ser acelerado. Este é um momento crucial para Milão e um passo significativo em direção a um futuro mais sustentável.