Milagre no Nepal: Idosa sobrevive a enchentes após rituais de luto
Chandika Kumari Shrestha foi encontrada viva após dias de busca, trazendo esperança em meio à tragédia das enchentes no Nepal.
06/09/2026 13h10 Atualizado 06/09/2026 13h26
A família de Chandika Kumari Shrestha acreditava que ela havia sido tragicamente levada pelas enchentes devastadoras no Nepal e já havia iniciado o ritual de luto pela idosa. No entanto, dez dias depois, equipes de resgate fizeram uma descoberta surpreendente: ela estava viva, presa sob os escombros de sua casa desmoronada na vila de Betrawati. Kumari sobreviveu graças a um bolsão de ar que se formou em meio à água e lama que inundavam o local.
“O prédio de quatro andares foi arrastado pelas enchentes e ficou atolado em areia movediça. Enquanto circulávamos ao redor do local, ouvimos uma voz clamando ‘salve-me’”, relatou o policial Mahendra Darnal, visivelmente emocionado.
A operação de resgate, realizada em um sábado e que durou 45 minutos, foi um momento de alívio. Darnal e sua equipe encontraram Shrestha em um espaço apertado e a levaram para um hospital do exército, onde ela pôde receber os cuidados necessários.
“Estava em contato com a família, que já havia iniciado o período de luto de 11 dias”, contou Darnal, refletindo sobre a dor e a esperança entrelaçadas nessa situação.
Shrestha estava entre as centenas de desaparecidos em Betrawati, uma das áreas mais afetadas pelas enchentes, onde a paisagem foi coberta por uma camada de sedimentos brancos, quase como concreto. Enquanto isso, as equipes de resgate continuavam seus esforços para localizar e recuperar os corpos de outras vítimas.
O mercado da cidade e a maioria dos prédios residenciais, alguns com até quatro andares, ficaram quase completamente soterrados pelos escombros deixados por uma torrente que devastou o vale. Esse desastre já ceifou a vida de mais de 1.300 pessoas em todo o Nepal, e milhares ainda permanecem desaparecidos.
As equipes de resgate, equipadas com capacetes, eram vistas cavando com pás, enquanto outros membros se arrastavam através das frestas dos prédios desmoronados, apitando periodicamente para tentar chamar a atenção de quem estivesse preso e ainda vivo.
Cinco dias antes, 24 corpos em estado avançado de decomposição foram encontrados na área do mercado de Betrawati, em um prédio que abrigava uma pequena loja, informou Darnal.
Após 11 dias do desabamento glacial que causou as inundações, cerca de 5.000 pessoas ainda estão desaparecidas. Corpos foram levados pelas águas para as margens de rios distantes, no devastado distrito de Rasuwa. Em Chitwan, a centenas de quilômetros de distância, foram realizadas várias rodadas de enterros em massa para os corpos não identificados que estavam em avançado estado de decomposição.
Embora a esperança comece a se dissipar, as autoridades do Nepal seguem firmes em seus esforços para localizar pessoas que ainda possam estar presas em túneis e sob as espessas camadas de lama que se acomodaram sobre os prédios.
Desde a última sexta-feira, três pessoas foram resgatadas de túneis, incluindo um cidadão chinês próximo ao rio Trishuli, onde se estima que mais de 900 pessoas estejam ainda aprisionadas. Outros, como Shrestha, conseguiram sobreviver em condições extraordinárias, incluindo um menino de apenas 8 anos.
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