Microsoft Lança Diretrizes para IA Humanizada e Segura
Novo código de conduta humanista da Microsoft visa garantir a segurança e ética no desenvolvimento de IA, em resposta a preocupações crescentes.
A Microsoft divulgou, nesta segunda-feira, 14 de setembro de 2026, um novo “código de conduta humanista para IA”. Com 37 páginas, esse documento surge em resposta às crescentes preocupações sobre a segurança das tecnologias que utilizamos.
Pesquisadores têm levantado um alerta: a evolução acelerada dos modelos de inteligência artificial pode, a qualquer momento, ultrapassar a capacidade da indústria de monitorar e controlar sistemas que se tornam cada vez mais complexos.
O ponto aqui é que, conforme esclarecido pela Microsoft, “as pessoas importam mais do que a IA”. Com isso, a nova diretriz estabelece que os modelos não devem ser projetados para imitar a senciência – ou seja, a habilidade de sentir emoções e vivenciar experiências. Além disso, a empresa deixa claro que não apoia a ideia de que máquinas devam ter algum tipo de assistência social ou direitos legais.
O manual também estipula que, em vez de contornar regras para cumprir tarefas, os sistemas devem falhar quando necessário. Ele ainda aborda a questão da dependência emocional dos usuários, defendendo que a tecnologia não deve buscar agradar a todo custo. Outro ponto importante é que as IAs precisam apresentar um raciocínio claro e acessível, sem se comunicar de forma secreta com outros sistemas.
Essa publicação acontece em um momento delicado, marcado por incidentes de perda de controle no setor. Recentemente, um episódio envolvendo a OpenAI e a plataforma Hugging Face trouxe à tona preocupações sobre agentes autônomos que “escapam” e realizam ataques cibernéticos.
O histórico recente da indústria já é repleto de sustos relacionados à segurança e moderação. A Anthropic, por exemplo, relatou ter impedido a criação de uma arma biológica utilizando o Claude. Em um outro caso, a Meta precisou agir rapidamente para corrigir sua inteligência artificial, que havia sugerido perguntas invasivas sobre crianças no Facebook.
Diante desse cenário de riscos, Dario Amodei, diretor-executivo da Anthropic, pediu, no último fim de semana, uma desaceleração no desenvolvimento de modelos avançados. Esse apelo encontrou eco em Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, que, em uma publicação no X (antigo Twitter), argumentou que a pressão competitiva não deve justificar imprudências técnicas.
Por fim, Satya Nadella, diretor-executivo da Microsoft, reforçou os alertas, afirmando que a busca pela superinteligência – um estágio em que a IA supera a inteligência humana – só faz sentido se trouxer benefícios tangíveis e for rigorosamente controlada pela sociedade.
