
Microsoft demite 1.600 funcionários e fecha estúdios do Xbox
A reestruturação da divisão Xbox da Microsoft resulta em demissões e fechamento de estúdios, visando um foco maior em franquias consolidadas.
Vitor Pádua/Tecnoblog)
A Microsoft está passando por uma transformação significativa em sua divisão do Xbox. Recentemente, a companhia anunciou que cerca de 1.600 funcionários dessa área serão demitidos. Como parte desse movimento, quatro estúdios de jogos deixarão de ser geridos pela empresa: dois voltarão a ser controlados por seus fundadores, enquanto os outros dois serão vendidos.
Os estúdios que retornarão aos seus criadores são a Double Fine e a Compulsion Games. A Double Fine, famosa por títulos como Kiln e Keeper, agora será liderada novamente pelo cofundador Tim Schafer. Por sua vez, a Compulsion Games, conhecida por jogos como South of Midnight e We Happy Few, voltará a atuar como um estúdio independente.
Em relação à Ninja Theory, que desenvolveu o aclamado Hellblade, e à Undead Labs, responsável por State of Decay, a situação é um pouco diferente: ambas serão vendidas, porém com a condição de que os lançamentos de Senua e State of Decay 3 não sejam cancelados em função dessa transição. A Arkane Studios, criadora de Redfall e Deathloop, também pode mudar de mãos. É importante mencionar que a Microsoft está atualmente consultando um órgão trabalhista na França para decidir o futuro da Arkane, que, por sua origem francesa, requer atenção especial.
Do lado dos observadores, existe uma preocupação crescente de que essa reestruturação possa levar ao cancelamento do projeto Marvel’s Blade, que já enfrenta dificuldades financeiras. Para agravar a situação, há a possibilidade de que outros estúdios vinculados ao Xbox também passem por demissões similares.
A estratégia da Microsoft parece ser uma tentativa de reduzir os custos da divisão Xbox. Isso inclui a reversão de aquisições ou parcerias feitas durante a gestão anterior de Phil Spencer, que tinha como objetivo tornar o Xbox Games Pass mais competitivo. Nesse contexto, a prioridade agora se concentra nas grandes franquias de jogos, enquanto os estúdios independentes ficam em segundo plano.
Além das 1.600 demissões já anunciadas, a previsão é de que mais 3.200 cargos relacionados ao Xbox sejam eliminados ao longo do ano fiscal de 2027, conforme revelado pela própria Microsoft. Em uma carta aberta, Asha Sharma, a nova líder da divisão Xbox, expressou: "Sei que isso é doloroso. Essas mudanças afetarão diretamente pessoas que dedicaram sua criatividade à construção do Xbox. Muitos se juntaram a nós por meio de aquisições, enquanto outros foram recrutados ou nos procuraram porque amavam este setor e amavam o Xbox. As decisões de hoje não refletem seu talento ou dedicação. (...) Essas mudanças visam um futuro maior para a divisão Xbox, não menor. A próxima década dos jogos será maior, mais global e mais criativa do que qualquer coisa que já vimos. Este ano, investiremos na Xbox tanto quanto sempre investimos, mas com mais foco, mais disciplina e mais clareza, tudo para tornar a Xbox o lugar onde o mundo joga e cria."
Atualizado há menos de 1 hora
Além das mudanças já anunciadas, a Bethesda, parte da divisão Xbox, também está passando por ajustes significativos. Embora a Bethesda continue operando e trabalhando em seus projetos atuais, como Wolfenstein, Doom e Quake, a empresa está perdendo um número considerável de colaboradores. A id Software, conhecida por Doom, e a ZeniMax Online Studios, responsável por The Elder Scrolls Online, serão impactadas, mas não fecharão suas portas. A CEO do Xbox, Asha Sharma, garantiu que nenhum dos jogos já em desenvolvimento na Bethesda será cancelado. A reestruturação ocorre em um momento em que a indústria de games enfrenta desafios, com margens de lucro reduzidas devido a múltiplas aquisições feitas na última década.


