Microsoft Acusa OpenAI de Roubo de Conteúdo Jornalístico
Executivo da Microsoft classifica uso de conteúdo pela OpenAI como o maior roubo da história, destacando impactos no jornalismo e na compensação de criadores.
Um executivo da Microsoft descreveu o uso de conteúdo jornalístico pela OpenAI como “o maior roubo de trabalho da história humana”. Essa afirmação emergiu de documentos internos revelados durante um processo judicial, que também expuseram discussões entre as duas empresas sobre as consequências dos chatbots de IA para o setor jornalístico. Essas conversas abordaram a diminuição do tráfego em sites e estratégias para contornar paywalls.
Os documentos fazem parte de uma ação judicial liderada pelo New York Times, que se tornou pública recentemente. De acordo com o Ars Technica, um dos executivos se referiu à coleta de conteúdo sem compensação como um “roubo impressionante de proporções sem precedentes”.
As comunicações entre os executivos demonstram que ambas as empresas estavam cientes dos impactos da IA no setor editorial. No Brasil, a imprensa está pressionando o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em uma ação contra o Google, investigando o uso de notícias em suas ferramentas de pesquisa, incluindo o Gemini, que alimenta os Resumos de IA.
Um dos principais registros é de Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, que destacou que a estratégia representava uma “completa zombaria da ideia de ‘uso justo’”, um argumento frequentemente utilizado pela indústria de IA para justificar a coleta em larga escala de dados. “Quase ninguém esperava que o conteúdo criado fosse utilizado dessa maneira, e ninguém recebe compensação por esse uso”, ressaltou o executivo.
O New York Times revelou que funcionários da Microsoft discutiam um ciclo vicioso em que os produtos de IA prejudicariam os próprios sites que serviam como base para o treinamento dos modelos. A preocupação central era que a queda no tráfego dos sites jornalísticos poderia comprometer a capacidade desses veículos de produzir conteúdo, impactando a quantidade e qualidade das informações disponíveis para o treinamento dos modelos de IA.
Nos documentos, foi mencionado que a Microsoft observou uma redução nas taxas de cliques para links de veículos de notícias. Entre as publicações que assinaram a ação, algumas relataram quedas de 83% a 93%, enquanto outras tiveram reduções que variaram de 51% a 94%.
Um estudo anterior do Pew Research Center indicou que usuários expostos a resumos gerados por IA clicam em links tradicionais quase 50% menos. Esses dados também foram utilizados pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) na luta da imprensa brasileira contra as ferramentas do Google.
Mensagens internas da OpenAI explicaram o fenômeno: os usuários simplesmente não clicam, “não importa o quão destacado seja o link exibido”. Nick Turley, que era o líder de produto do ChatGPT, concordou com essa observação, afirmando que não há “um bom motivo para clicar” se o chatbot já fornece toda a resposta.
Além disso, as mensagens internas abordaram o acesso a conteúdos protegidos por paywalls. Greg Brockman, presidente da OpenAI, teria expressado estar “profundamente motivado pelas centenas de bilhões” após um funcionário mencionar um “hack” que permitia que os rastreadores da empresa burlassem o sistema.
