Meta Revela Óculos Sem Câmera: Privacidade e Inovações em Foco
Com novos modelos que capturam áudio, a Meta busca equilibrar inovação e privacidade em sua linha de óculos inteligentes.
23/09/2026, 10h53
Atualizado há poucos minutos
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MENLO PARK, CALIFÓRNIA - Hoje, 23 de setembro, a Meta Platforms (M1TA34) está prestes a revelar novos óculos inteligentes durante sua conferência anual Connect, que acontece na quarta-feira. Entre as novidades, um modelo sem câmeras, uma resposta a um crescente clamor por privacidade em relação aos dispositivos de IA que podem gravar pessoas sem consentimento.
A Meta, sendo uma líder nesse campo, tem se destacado na corrida para disponibilizar dispositivos de IA aos consumidores. No ano passado, as vendas de seus óculos inteligentes, desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, dispararam para mais de 7 milhões de unidades. Isso garantiu à empresa uma posição forte em um mercado onde a concorrência se intensifica, especialmente com empresas chinesas como RayNeo e Xiaomi.
Contudo, essa popularidade trouxe à tona preocupações globais sobre a possibilidade de gravações secretas. Como resultado, vários estabelecimentos no Reino Unido, como restaurantes e teatros, começaram a restringir o uso desses dispositivos. As polêmicas não param por aí.
Os óculos têm sido alvo de ações judiciais, incluindo uma proposta de ação coletiva na Califórnia, onde se argumenta que a Meta enganou os usuários sobre a proteção de sua privacidade. Há ainda alegações de que anotadores humanos, encarregados de treinar a IA da empresa, acessaram e classificaram imagens de momentos íntimos, como trocas de roupa, que foram enviadas para os servidores da Meta.
Além disso, o assistente de IA da Meta, chamado Muse, tem desempenhado um papel ativo assistindo em tarefas cotidianas, como gerenciar meu seguro odontológico, fazer reservas em restaurantes e até criar um podcast. No entanto, isso vem acompanhado de um pedido por dados pessoais e, claro, é preciso confiar na plataforma.
Enquanto investidores falam sobre um potencial aumento de produtividade, também há um alerta sobre o risco de desigualdade e a possibilidade de uma bolha de investimentos em IA.
Voltando aos novos óculos, a Meta planeja lançar dois modelos sem câmeras: o Clubmaster e o Burbank, conforme informações do site The Information. Analistas acreditam que a empresa também deve apresentar uma nova versão dos óculos Meta Ray-Ban, que incluem câmeras, além de um par de óculos de realidade aumentada mais finos e leves, conhecidos pelo codinome Phoenix.
Esse anúncio do modelo Phoenix chega logo após a Snap ter revelado novas parcerias e detalhes sobre seus óculos de realidade aumentada, os Specs, que custarão US$ 2.195 e devem ser lançados ainda este ano.
Entretanto, alguns analistas têm suas dúvidas. A remoção das câmeras, por si só, pode não ser suficiente para aliviar as inquietações em relação à privacidade, especialmente porque esses dispositivos ainda podem capturar áudio. A ausência da câmera pode, inclusive, afetar a demanda, já que a capacidade de tirar fotos e gravar vídeos é um dos recursos mais valorizados por usuários.
“Mesmo que a câmera não esteja presente, microfones e a captação de áudio ainda podem gerar preocupações, embora provavelmente em menor escala”, observa Linda Sui, fundadora da Smart Analytics Global, uma empresa de pesquisa de mercado.
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