
Meta Lança Óculos com IA para Gravações Contínuas
A nova tecnologia de super percepção da Meta promete revolucionar o uso de óculos inteligentes, gravando áudio e fotos constantemente.
s constantemente (foto: Thássius Veloso/Tecnoblog)
A Meta tem investido cada vez mais em suas linhas de óculos inteligentes desde 2021. Recentemente, a empresa começou a testar uma ferramenta intrigante, que é capaz de gravar áudio continuamente e capturar fotos a cada poucos segundos. Esse recurso, chamado internamente de super sensing (ou superpercepção, em tradução livre), tem o objetivo de ajudar o usuário com detalhes do dia a dia de forma prática.
De acordo com o Financial Times, essa tecnologia irá armazenar informações como conversas, localização de objetos e outros detalhes relevantes. A ideia é que um assistente possa, então, responder a perguntas sobre o dia, como a localização de um item ou questões discutidas em reuniões.
Embora o projeto ainda esteja em fase de protótipo, ele já está gerando discussões dentro da Meta. Um dos pontos mais delicados desse debate envolve a captura constante de dados potencialmente sensíveis, incluindo gravações de pessoas que não consentiram em ser registradas.
Fontes consultadas pelo jornal revelam que algumas funcionalidades do super sensing poderiam ser disponibilizadas até mesmo para os modelos já existentes, através de atualizações de software. Contudo, o lançamento oficial ainda não foi confirmado.
O Financial Times também destaca que o super sensing não deve armazenar as imagens e os áudios diretamente no dispositivo, nem permitir que o usuário tenha acesso a eles. O que acontece é que os óculos iriam extrair informações desses registros e enviar os dados processados para a Meta AI. Essa abordagem é defendida por alguns como uma forma de minimizar riscos legais e preocupações com a privacidade, já que o usuário não teria acesso direto aos arquivos.
Além disso, a Meta está avaliando se esses dados poderiam ser utilizados para treinar os modelos de inteligência artificial da empresa. Essa avaliação levanta a questão de um possível aumento na pressão regulatória.
É importante lembrar que, entre as grandes empresas de tecnologia, uma reação negativa poderia ser esperada caso essa funcionalidade fosse anunciada, especialmente porque o conceito se assemelha ao que a Microsoft tentou com o Recall. A empresa lançou esse serviço em 2025, após vários adiamentos, mas a repercussão foi bastante negativa, levando a várias ferramentas a bloquear o sistema de captura.
Em resposta ao The Verge, a Meta se limitou a afirmar que desenvolve seus produtos com um foco em “privacidade construída desde a base”.
Essa nova iniciativa destaca uma mudança na estratégia da Meta, que está cada vez mais voltada para dispositivos de realidade aumentada e virtual. Após anos investindo pesadamente no metaverso e em headsets, a empresa voltou sua atenção para óculos inteligentes, que são mais leves e se assemelham a acessórios comuns.
O sucesso dessas linhas, em parceria com a EssilorLuxottica — que possui marcas renomadas como Ray-Ban e Oakley —, levou até o Google a reavaliar o Google Glass, agora com uma nova integração ao Gemini. Em maio, a Meta também anunciou uma nova linha de óculos inteligentes em colaboração com a Samsung, que contará com o novo sistema Android XR.
E, no mês passado, a companhia de Mark Zuckerberg revelou uma linha que, pela primeira vez, não será associada a nenhuma outra marca de óculos. Porém, essa nova linha ainda não chegou ao Brasil.


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