Mestre Ciça e a Homenagem da Unidos do Viradouro no Carnaval 2026
Leia aqui sobre o enredo de cada escola que se reapresenta.
© Tata Barreto/Riotur
Neste fim de semana, cariocas e turistas se reúnem para dar um adeus às festividades do carnaval de maneira grandiosa. Hoje, sábado, dia 21, a partir das 21h, o sambódromo se transforma em um espetáculo vibrante com o tão aguardado “desfile das campeãs” do grupo especial.
As escolas de samba que subirão à passarela, em ordem de apresentação, são: Mangueira (6ª colocada), Imperatriz Leopoldinense (5ª), Salgueiro (4ª), Vila Isabel (3ª), Beija-Flor (2ª) e, por fim, a Unidos do Viradouro, que conquistou o título com a pontuação máxima de 10 em todos os quesitos, totalizando 270 pontos.
Entre as emoções da noite, destaca-se a figura de Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça, que comanda a bateria da Viradouro. Ele é, na verdade, o tema do enredo da escola campeã, que se reapresenta mais tarde.
Este carnaval marca a quarta vitória da escola de samba de Niterói, que trouxe inovações desde a escolha do enredo. O desfile que homenageou Ciça aconteceu na última segunda-feira, dia 16, e foi um verdadeiro espetáculo.
Mestre Ciça, que em julho completará 70 anos, dedicou 55 deles ao carnaval. Sua trajetória é rica, tendo passado de passista a ritmista em várias escolas até se tornar reconhecido como “mestre dos mestres”, um título que seus colegas de outras agremiações lhe conferem.
À frente da bateria “Furacão Vermelho e Branco”, Ciça desempenha um papel crucial na escola de samba. “Quem faz o andamento, quem imprime ritmo ao enunciado do samba enredo, é a bateria”, comenta o sociólogo Rodrigo Reduzino, um especialista em carnaval carioca.
Reduzino acrescenta que a bateria é mais do que um simples componente do desfile. “Pode ser que a bateria seja como o coração. Mas também é parte integrante de um corpo, de um sistema como um todo.”
Os mestres de bateria, como Ciça, têm a responsabilidade de reger os movimentos do desfile, um trabalho que exige talentos e aprendizados especiais.
“É necessário ter ciência e saber. Não é o saber acadêmico, mas um conhecimento ancestral que permite lidar com esse conjunto e direcionar o ritmo ideal para a escola”, enfatiza o pesquisador.
Essa capacidade de integrar discernimento, ciência e sabedoria não se desenvolve da noite para o dia. O samba, como bem disse Noel Rosa, “não se aprende no colégio”.
É um conhecimento que se transmite oralmente, na vivência diária e na experiência compartilhada com os outros. É essa continuidade da ancestralidade que imprime a essência da bateria, conclui Rodrigo Reduzino.
