
Merz Reitera Oposição a Dívida Comum na Europa Após Prêmio Draghi
O chanceler alemão critica a proposta de dívida conjunta e defende a soberania financeira da Alemanha em meio a desafios econômicos.
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Na última quinta-feira, o chanceler alemão Friedrich Merz deixou claro que a ideia de uma dívida conjunta não é viável para financiar a economia europeia. Ele se pronunciou durante a cerimônia em que o Prêmio Carlos Magno foi concedido ao ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi. Em seu discurso na Catedral de Aachen, Merz reiterou o apelo de Draghi para que se aumente a competitividade na Europa, mas destacou que ainda há muitas divergências sobre como alcançar isso.
"Alguns acreditam que podemos evitar essa tarefa difícil assumindo novas dívidas, ou seja, dívidas europeias, para cobrir despesas regulares. No entanto, a Alemanha não pode seguir por esse caminho, não apenas por questões constitucionais, mas também porque precisamos de recursos para enfrentar crises futuras", afirmou Merz. Ele já havia expressado sua oposição ao conceito de empréstimos conjuntos, uma proposta que Draghi trouxe à tona em seu relatório de 2024 sobre a competitividade europeia. Nesse documento, Draghi pediu a união de esforços da UE para contrair empréstimos como uma forma necessária de mobilizar 800 bilhões de euros adicionais em investimentos anuais. Embora parte desse financiamento viesse de fundos privados, também seria imprescindível o investimento público.
Merz enfatizou que "a dívida excessiva ameaça a soberania e limita nossa capacidade de agir". Ele foi claro ao afirmar que, em alguns casos, países já estão gastando mais com juros da dívida do que com a defesa, devido ao seu elevado endividamento.
Esse posicionamento pode colocá-lo em desacordo com nações como França, Espanha e Grécia, que têm defendido a emissão de novas euro-obrigações para ajudar a economia do bloco, especialmente diante das consequências da guerra no Oriente Médio e do aumento nos preços da energia. Assim, a questão do financiamento da economia e como enfrentar o desafio dos preços altos da energia será central nas discussões sobre o próximo orçamento de longo prazo da UE, que abrange o período de 2028 a 2034. Essas conversas devem ganhar destaque durante o Conselho Europeu de Bruxelas, marcado para os dias 18 e 19 de junho.
Vale lembrar que o Prêmio Internacional Carlos Magno é concedido desde 1950 a indivíduos ou instituições que se destacam por seus serviços em prol da Europa e pela unidade do continente.


