Mercado Avalia Prêmio Eleitoral no Real com Lula em Alta
Com as eleições se aproximando, o mercado financeiro já reflete sobre as implicações da possível reeleição de Lula, impactando o real e a confiança dos investidores.
15/08/2026, 10h50
Atualizado há 15 minutos
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Faltando apenas dois meses para as eleições, o mercado financeiro já começa a sentir os efeitos de um prêmio eleitoral sobre o real, especialmente com a possibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continuar à frente da administração. Isso ocorre após investidores manterem posições compradas na moeda brasileira durante boa parte do ano.
O ponto de inflexão foi o rebaixamento da recomendação do Brasil pelo JP Morgan, seguido pela decisão da MSCI de retirar os papéis da Stone de sua carteira focada no Brasil, conhecida como MSCI Brazil.
Relatórios recentes de grandes bancos, tanto estrangeiros quanto brasileiros, indicam que, apesar de uma quantidade considerável de posições compradas em real, há um movimento de desconstrução dessas posições em resposta ao cenário eleitoral. Essa mudança está gerando pressão crescente sobre a moeda nacional.
À medida que as pesquisas eleitorais começam a mostrar uma vantagem mais consolidada para Lula, a expectativa é que a volatilidade aumente, especialmente devido às preocupações do mercado com o cenário fiscal para 2027.
Para entender melhor essa dinâmica, é fundamental considerar conceitos como amostra, nível de confiança e margem de erro, que são essenciais nas pesquisas eleitorais.
As decisões do JP Morgan e da MSCI têm grande influência entre os investidores no Brasil. Essas mudanças coincidem com um período em que o Tesouro Nacional enfrenta dificuldades em negociar títulos atrelados à inflação (NTN-B) ou prefixados (NTN-F). Normalmente, essas tendências começam nos títulos públicos e, em seguida, impactam o câmbio, como está ocorrendo atualmente.
Essa movimentação se dá pela redução do apetite por papéis que podem perder valor no futuro. Se houver a percepção de que o Tesouro Nacional precisará realizar mais emissões para se financiar, isso implica uma maior necessidade de recursos, resultando em uma oferta excessiva de títulos no mercado. Com a expectativa de aumento na oferta, os papéis tendem a perder valor. O mercado já começa a considerar que os juros que o governo terá que pagar podem subir no futuro, devido à relação inversa entre o valor nominal dos títulos e suas taxas.
Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda e ex-secretário do Tesouro Nacional, afirmou que o governo não enfrenta dificuldades para financiar sua dívida pública. “Nenhuma dificuldade, isso precisa ficar muito claro. O Tesouro está se preparando para, quando se aproximar do ciclo eleitoral, formar um colchão de liquidez. Há uma incerteza sobre o futuro, que é normal em períodos eleitorais. Naturalmente, há uma maior demanda por LFTs. Isso é bem diferente de afirmar que o Tesouro está com dificuldades de se financiar”, comentou.
Na prática, a percepção entre os observadores do mercado é de que os investidores estão se afastando da possibilidade de comprar o futuro do Brasil, o que se traduz em uma crescente procura por papéis de menor risco.