Mendonça: Relatório de Moraes Compromete Investigações do Caso Master
Ministro do STF critica relatório da PF por prejudicar investigações em andamento e pede afastamento de diretores.

Atualização: 08/09/2026, 10h44
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, fez uma declaração contundente sobre o relatório da Polícia Federal mencionado por seu colega Alexandre de Moraes. Mendonça afirmou que esse documento, que carecia de identificação clara de autoria e data, prejudicou investigações em andamento.
O relatório indicava a existência de uma operação “pendente” que poderia afetar líderes do União Brasil, ACM Neto e Antônio Rueda. Mendonça utilizou essa antecipação das ações da PF como justificativa para o afastamento temporário do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, decisão anunciada nesta terça-feira e divulgada pela coluna de Malu Gaspar, do GLOBO.
“Assim, ao tentar produzir um ‘documento’ sem origem e recheado de abstrações e juízos subjetivos, e ao compartilhar essas informações com outro relator, a divulgação pública desse material acabou por alertar os possíveis alvos sobre ações que poderiam ser tomadas, frustrando completamente a eficácia das investigações”, explicou Mendonça.
O ministro também fez críticas severas, descrevendo os relatórios como "absolutamente ineptos e ilegais", e os chamou de “amorfos, estapafúrdios e anômalos”. Ele argumentou que as falhas técnicas nesses documentos os tornavam “inservíveis” até mesmo para a atividade de inteligência, que é seu propósito original.
Em sua decisão, Mendonça ressaltou que o afastamento de Rodrigues é essencial para garantir que tanto os membros da Corte quanto o advogado-geral da União, Jorge Messias, e os servidores da Polícia Federal possam desempenhar suas funções sem pressões indevidas. Além disso, determinou que o delegado Leandro Almada também fosse afastado do cargo de diretor de inteligência policial da PF. Mendonça pediu ainda à Corregedoria da Polícia Federal que iniciasse “procedimentos investigativos de natureza penal e administrativo-disciplinar” em relação a esses “graves fatos identificados”.
A situação no STF se intensificou na última quinta-feira, quando Alexandre de Moraes solicitou que Mendonça fosse investigado, citando “indícios de crimes” relacionados à condução de inquéritos sob sua responsabilidade, especialmente no que diz respeito ao escândalo do Master.
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A decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, tem como base argumentos e entendimentos jurídicos que ganharam força no Supremo Tribunal Federal nos últimos anos, muitos deles defendidos pelo ministro Alexandre de Moraes durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Um dos principais exemplos é a referência feita por Mendonça ao caso de 2020 em que Moraes suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da PF. Na ocasião, o ministro considerou haver indícios de desvio de finalidade na escolha feita por Bolsonaro e decidiu intervir, apesar de a indicação do diretor-geral ser uma prerrogativa presidencial. Agora, Mendonça adota raciocínio semelhante para justificar o afastamento de Andrei Rodrigues.