Mendonça Propõe Análise de Conversas de Vorcaro e Moraes no STF
Ministro do STF defende que plenário examine diálogos inéditos de Vorcaro e Moraes, destacando a importância da transparência na deliberação.
© Carlos Moura/SCO/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração importante nesta terça-feira, dia 1° de setembro de 2026. Ele defendeu que o plenário da Corte analise as novas conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Essa manifestação de Mendonça veio à tona em um despacho no qual ele decidiu retirar o sigilo de diálogos que antes eram inéditos. O conteúdo dessas conversas inclui menções aos nomes de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Esses diálogos foram obtidos a partir da quebra do sigilo do celular de Vorcaro, que está sob investigação na Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras no Banco Master. Segundo Mendonça, relator do caso, o plenário do STF representa a "instância soberana" para tratar dessa situação. Ele enfatizou: "O caminho inevitável dos presentes autos leva ao plenário deste Supremo Tribunal Federal, instância soberana para analisar, de modo técnico estritamente jurídico, os novos elementos trazidos pela autoridade policial." Além disso, o ministro destacou a importância de que essa sessão ocorra de maneira "pública e transparente". Ele acrescentou que "a aludida deliberação, pelo plenário da Corte, deverá ocorrer de forma pública e transparente, em sessão presencial do colegiado". Vale ressaltar que a decisão de colocar essa questão em pauta cabe ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que é responsável, conforme o regimento, pela organização da agenda da Corte. Se essa deliberação ocorrer, o STF poderá decidir se Moraes pode ser investigado com base nas conversas. No início deste ano, já haviam surgido mensagens que supostamente foram trocadas entre Vorcaro e Moraes. É interessante notar que o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, tinha contratos com o Banco Master. Naquele momento, o ministro já havia negado ter mantido conversas com o ex-banqueiro.
Atualizado há 7 horas
Além disso, o relatório da Polícia Federal, cujo sigilo foi retirado por Mendonça, revela que o ministro Alexandre de Moraes teria editado o contrato entre o escritório de advocacia de sua esposa e Daniel Vorcaro. No mesmo documento, foi mencionado que Vorcaro realizou um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias após Flávio Bolsonaro cobrar pagamentos atrasados.
Atualizado há 17 horas
Na semana passada, Mendonça retirou o sigilo e enviou o relatório da PF para a Presidência e para manifestação da Procuradoria-Geral da República, o que escalou a crise no Supremo. Fachin deve aguardar as respostas dos ministros do tribunal André Mendonça e Alexandre de Moraes, do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para se manifestar. O presidente do STF deu até sexta-feira (11) para que eles prestem informações sobre os acontecimentos que causaram uma crise no STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou na terça-feira (1º) pela nulidade da investigação comandada por André Mendonça, que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. A PGR argumentou que o ministro André Mendonça não deveria ter solicitado apuração sobre o destinatário das mensagens do ex-banqueiro, sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF, e que a competência para decidir sobre a eventual apuração sobre Moraes é do plenário da Corte.