Mendes Propõe Proibição de Delegados da PF como Assessores no STF

Mendes Propõe Proibição de Delegados da PF como Assessores no STF

Ministro sugere mudança no Regimento Interno do STF para evitar riscos em investigações, em meio a tensões entre ministros.

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© Antônio Augusto/STF

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe à tona, neste sábado (5), uma proposta que visa proibir a cessão de militares, delegados e policiais para atuarem como assessores nos gabinetes da Corte. Essa proposta de alteração no Regimento Interno do STF já havia sido discutida anteriormente durante a semana com o presidente do Supremo, Edson Fachin, e agora Mendes formalizou a sugestão para que todos os ministros possam analisá-la.

O ponto aqui é que essa iniciativa surge em meio a uma crescente tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Cada um deles, por exemplo, conta com dois delegados da Polícia Federal como assessores em seus gabinetes.

Mendes acredita que a presença desses policiais pode representar um risco, pois decisões sobre a condução de investigações, que deveriam ser exclusivas da autoridade policial, podem acabar sendo transferidas para o Supremo.

No texto apresentado, Mendes sugere que servidores das áreas militar e policial possam atuar na segurança dos gabinetes, mas a participação deles em inquéritos ou processos, bem como em atividades de assessoramento jurídico, estaria “vedada”. Além disso, o texto também estabelece que “caberá ao Presidente do Supremo Tribunal Federal providenciar o imediato retorno aos órgãos de origem dos servidores atualmente em exercício no Tribunal em desacordo com a regra ora acrescida ao art. 357 do Regimento Interno”.

Essa proposta surge, ainda, após o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ter tentado articular o retorno dos delegados cedidos ao gabinete de Mendonça. Vale lembrar que Mendonça é o relator de casos que envolvem escândalos de fraude financeira e corrupção no Banco Master, além de desvios em aposentadorias do INSS.

Agora, a responsabilidade recai sobre Fachin, que deve incluir a proposta na pauta para que todos os ministros do Supremo possam apreciá-la e votá-la. Vale destacar que essa proposta do decano ganha relevância após Mendonça ter retirado o sigilo de um relatório da PF nesta semana. Nesse documento, constam mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Master, a Moraes, conforme indicam os investigadores.

Nas conversas, Vorcaro menciona um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, com o Master. Também foram reveladas mensagens em que o ex-banqueiro parece ter tido acesso a informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo.

Logo após a divulgação desse material, Moraes solicitou à presidência do Supremo a abertura de uma investigação contra Mendonça, alegando “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade no caso Master. Para fundamentar suas acusações, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF, que sugere que Mendonça estaria direcionando investigações contra opositores políticos. Contudo, é importante notar que esse documento não possui assinatura e traz a advertência de que se trata de uma análise interna prospectiva, sobre possíveis caminhos de investigação, e “sem valor probatório”.

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