Memória para PCs e smartphones se esgota em 2027 devido à IA
A corrida por infraestrutura de IA esgota a produção de memória, impactando preços e disponibilidade de dispositivos até 2027.
Se você planeja montar um PC ou adquirir um novo smartphone, é essencial se preparar financeiramente. As três maiores fabricantes de semicondutores do mundo — Samsung, SK Hynix e Micron — já comprometeram toda a sua capacidade de produção de memórias até 2027. O que está por trás desse esgotamento é a corrida frenética por infraestrutura de inteligência artificial, que se intensificou entre julho e agosto de 2026.
Na prática, o mercado está mudando de forma significativa. O avanço da IA exige data centers que dependem amplamente de memória, e essa demanda está superando a capacidade de produção de uma maneira sem precedentes. Para evitar atrasos em seus projetos, grandes empresas decidiram trabalhar exclusivamente com alguns fornecedores, temendo ficar sem os componentes necessários. Isso resultou em um cenário onde os fornecedores de chips podem agora estabelecer as regras e os preços. Com quase toda a produção disponível já comprometida, dispositivos voltados para o consumidor final enfrentarão dificuldades.
Chen Li-bai, presidente da fabricante de hardware ADATA, projeta que as aplicações de IA vão consumir cerca de 70% da capacidade de produção de memória RAM. Isso significa que a quantidade de memória disponível para notebooks, desktops e smartphones será consideravelmente reduzida em 2027. Neste momento, os fabricantes de eletrônicos de consumo estão conseguindo adquirir apenas entre 60% e 70% das quantidades que haviam planejado ou dependem de sobras dos fornecedores.
A alta nos preços de peças e aparelhos é um efeito cascata que já está em andamento. Chey Tae-won, presidente do Grupo SK, estima que a demanda total por chips de memória deve crescer entre 50% e 60% em 2027. A procura específica por chips voltados para IA pode até dobrar em relação aos números de 2026. Esse cenário já está refletindo em projeções de mercado, com estimativas indicando que o preço da memória RAM pode subir mais 40% globalmente. No Brasil, empresários do setor relatam que o preço da memória já subiu 30%.
Embora analistas acreditem que a escalada nos preços vista em 2026 vai perder força em 2027 — uma vez que a maior parte da produção já foi alocada —, é importante destacar que os preços já estarão elevados. Como a Lenovo alertou anteriormente, a alta nos preços das memórias parece ter se estabelecido como uma nova norma. E, no final das contas, essa pressão de custo acabará caindo nas mãos do consumidor.
