Manifestantes em Lisboa se unem por direito à habitação

Manifestantes em Lisboa se unem por direito à habitação

Ato simbólico em Lisboa destaca a luta pela habitação digna e pacífica, promovendo a resistência coletiva entre os manifestantes.

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Reprodução Redes Sociais

A manifestação em defesa do direito à habitação, realizada na praça do Rossio, em Lisboa, chegou ao fim na última quinta-feira à noite, precisamente às 00h30, sem que houvesse incidentes e com os participantes se desmobilizando de forma tranquila. Após cinco noites acampados na praça, sendo a última delas ao ar livre, os manifestantes decidiram não passar a noite na rua desta vez.

Durante a assembleia popular, a organização informou que a PSP havia dado sinal verde para que a "aconchada" — um termo que surgiu quando o acampamento evoluiu para dormir em conchinha — pudesse continuar, desde que o protesto se encerrasse até à meia-noite e meia e que tendas não fossem montadas, o que foi respeitado por todos.

Os manifestantes estavam comprometidos em seguir a lei do ruído, evitar qualquer ato de vandalismo e manter o local limpo. Contudo, durante a assembleia, a decisão foi de não passar mais uma noite ao relento no Rossio. O encerramento da concentração foi marcado por um "minuto de silêncio em conchinha" em homenagem ao direito à habitação.

A organização da acampada em Lisboa sugeriu, na quinta-feira, que esse “gesto simbólico” se repetisse diariamente, tanto em Lisboa quanto no Porto, logo após as assembleias populares. Nesses encontros, são discutidas e votadas diversas questões, incluindo a decisão de acampar ou não nos locais de protesto.

“Propomos que todos os presentes se deitem no chão em conchinha durante um minuto de silêncio. Isso representa uma resistência pacífica e uma luta pelo direito ao descanso e a uma habitação digna”, diz o comunicado.

Na quarta-feira, os manifestantes optaram por desmontar as tendas e passar a noite ao relento, deitados em sacos de dormir e cobertos com mantas, alguns até se aninhando em "conchinha", quando o frio da noite se instalou.

“Sem o abrigo das tendas e com a necessidade de descansar, a conchinha coletiva surge naturalmente. (...) A conchinha é uma arma. Viva a aconchada!”, afirmam.

Os protestos e acampadas contra a crise habitacional iniciaram no Porto em 10 de outubro e rapidamente se espalharam por Lisboa, além de terem motivado concentrações em outras cidades portuguesas. No Porto, os manifestantes decidiram desmantelar o acampamento por conta própria na madrugada de terça-feira, temendo uma nova intervenção policial.

Na última quinta-feira, houve confrontos entre manifestantes e o corpo de intervenção da PSP na Praça D. João I, no Porto, após a polícia ser chamada para retirar as tendas daquele local. Várias pessoas ficaram feridas em decorrência da carga policial.

Em Lisboa, na manhã de terça-feira, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio e detiveram 55 manifestantes, que devem ser apresentados a um juiz no dia 27. Além do aumento dos custos de habitação, os manifestantes também se opõem à nova lei do arrendamento que está sendo proposta pelo Governo de Luís Montenegro e que está atualmente em discussão no Parlamento.

Essas manifestações em Portugal são parte de uma onda de protestos que têm ocorrido em várias cidades europeias, em resposta ao aumento dos custos do combustível e ao descontentamento em relação ao estado da educação.

Atualizado há 4 horas

Enquanto a discussão da proposta de Orçamento de Estado para 2027 ocorria dentro do Parlamento, do lado de fora, movimentos como Casa para Viver e PORTA a PORTA organizaram uma nova manifestação, reunindo centenas de pessoas. Antes das 18h30, um forte dispositivo policial já estava presente e o acesso à escadaria da Assembleia da República foi vedado, como é comum em protestos dessa magnitude. O movimento que organizou a acampada em Lisboa decidiu participar desta manifestação, aprovando a montagem de tendas em frente ao Parlamento, com a possibilidade de pernoitar no local ainda em discussão. A cantora Marisa Liz, dos Amor Electro, juntou-se ao ato, apresentando-se em um palco improvisado, seguindo a tradição de artistas que têm participado dos protestos nas últimas semanas.

Atualizado há 7 horas

Este sábado, as manifestações pelo direito à habitação e contra o alto custo de vida voltam às principais cidades de Portugal, com destaque para Lisboa e Porto, e há promessa de uma nova 'acampada' no Rossio pela noite dentro, apesar da interdição de permanecer para lá das 00:30 e da dispersão violenta feita pela polícia na madrugada do dia 25, depois de os manifestantes terem recusado retirar as tendas. A carga policial, muito criticada pela oposição, foi feita simultaneamente em Lisboa e no Porto e causou dezenas de feridos.

A polícia admite voltar a recorrer à força, se os manifestantes insistirem em voltar a instalar tendas e pernoitar nas praças. Em entrevista ao jornal online Observador, o superintendente-chefe Luís Elias, comandante do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública (PSP) garantiu que a polícia iria privilegiar o diálogo, mas que "o diálogo infinito não está em cima da mesa".

Entretanto, um grupo de cidadãos decidiu recorrer à Provedora de Justiça para evitar novos excessos nas manifestações deste fim de semana. O grupo, que inclui a economista e comentadora televisiva Susana Peralta, ou ainda a ex-candidata presidencial Ana Gomes e o professor de economia Luís Aguiar-Conraria, fez um pedido "urgente" à provedora Luísa Neto para que acione o mecanismo nacional de prevenção da tortura.

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