Mali: Crise Aprofunda-se Após Assassinato do Ministro da Defesa
O ataque a Sadio Camara destaca a crescente violência no Mali, onde a luta contra rebeldes e jihadistas se intensifica sob a junta militar.

No último domingo, as autoridades do Mali trouxeram à tona uma notícia trágica: o ministro da Defesa, general Sadio Camara, perdeu a vida durante um ataque devastador realizado por jihadistas e rebeldes no dia anterior. Este incidente se insere em um contexto mais amplo de violência que assola o país, que, sob a gestão de uma junta militar, enfrenta há tempos a ameaça de militantes ligados à Al-Qaeda e ao grupo Estado Islâmico, além de uma revolta separatista no norte.
Em uma publicação na página oficial do ministério da Defesa, o governo do Mali confirmou a morte de Camara, expressando suas condolências à família enlutada. A televisão estatal também noticiou o falecimento, com um pronunciamento do porta-voz, general Issa Ousmane Coulibaly.
Segundo um comunicado governamental, a residência do general foi atacada por um bombista suicida e outros agressores no sábado. "O general Camara engajou-se em uma intensa troca de tiros com os atacantes, conseguindo neutralizar alguns deles. No entanto, durante o confronto, ele foi ferido e levado ao hospital, onde, lamentavelmente, não sobreviveu aos ferimentos", detalhou a nota.
Esse evento trágico ocorreu no mesmo dia em que o Mali sofreu um dos maiores ataques coordenados contra suas forças armadas, atingindo a capital, Bamako, e diversas outras cidades e vilas. Esse assalto desafiou também a presença militar da Rússia, que atua como parceira de segurança no país. Coulibaly informou que entre os 16 feridos estavam tanto civis quanto militares, e vários militantes foram mortos durante os confrontos.
No domingo, o governo anunciou que os ataques pareciam ter chegado ao fim, mas várias questões permanecem sem resposta. Um porta-voz da Frente de Libertação de Azawad (FLA), composta por tuaregues separatistas, afirmou que as tropas do Corpo Africano da Rússia e os militares do Mali haviam se retirado da cidade de Kidal após um acordo para uma saída pacífica. "Kidal é declarada livre", disse Mohamed El Maouloud Ramadan, porta-voz da FLA. Em uma declaração veiculada na televisão estatal na noite de domingo, o general Oumar Diarra, chefe das forças armadas, confirmou que o exército do Mali havia deixado a cidade e que suas forças estavam se reposicionando em Anefis, situada a cerca de 100 quilômetros ao sul de Kidal.
Os separatistas têm lutado há anos pela criação de um Estado independente no norte do Mali. Kidal, por muito tempo um bastião da rebelião, foi ocupada pelas forças governamentais do Mali e por mercenários russos em 2023, um movimento que representou uma vitória significativa para a junta militar e seus aliados.
O ataque de sábado marcou a primeira vez que os separatistas supostamente atuaram em conjunto com o grupo JNIM, vinculado à Al-Qaeda. Este grupo também reivindicou envolvimento no ataque a Kidal, além de ter como alvo uma cidade nos arredores de Bamako e outras três localidades. Segundo o porta-voz das FLA, essa operação está sendo realizada "em parceria com o JNIM, que também busca proteger o povo contra o regime militar de Bamako", afirmou Ramadan.
A situação no Mali continua tensa e, à medida que os eventos se desenrolam, muitos permanecem em expectativa quanto aos próximos passos dos envolvidos.