Magyar promete fechar a TV estatal da Hungria, alegando que ela faz propaganda 'norte-coreana
O primeiro-ministro eleito da Hungria, Péter Magyar, fez um anúncio impactante: ele planeja suspender a transmissão do canal nacional de televisão assim que seu governo estiver formado. Essa decisão surge após uma intervenção acalorada na televisão pública húngara. Magyar, que lidera o Partido Tisza e conquistou uma vitória surpreendente nas eleições do último domingo, tem criticado há tempos os meios de comunicação estatais, acusando-os de parcialidade contra seu movimento.
Esta foi a primeira vez em 18 meses que Magyar apareceu no canal nacional.
Embora a MTVA, a autoridade responsável pela mídia estatal, tenha declarado que fez múltiplos convites a Magyar e ao seu partido durante a campanha, o clima da entrevista foi tenso. Magyar participou de duas entrevistas — primeiro na rádio pública e, em seguida, na televisão — ambas marcadas por trocas acaloradas de palavras, interrupções e acusações
"Um dos elementos do nosso programa é que esta fábrica de mentiras vai acabar quando for formado um governo Tisza", declarou Magyar ao apresentador.
Ele enfatizou que as notícias falsas veiculadas pela emissora precisam de um fim, prometendo a criação de condições independentes, objetivas e imparciais para combater a propaganda. Além disso, ele acusou a emissora de espalhar informações falsas sobre ele e de ofender sua família durante a campanha, algo que o apresentador contestou.
Magyar não hesitou em comparar a MTVA aos meios de comunicação estatal da Coreia do Norte. "O que tem acontecido aqui desde 2010 é algo que Goebbels ou a liderança norte-coreana admirariam — não se diz uma única palavra verdadeira.
Isto não pode continuar", afirmou. O apresentador, por sua vez, também fez referência a reportagens enganosas que a MTVA teria transmitido sobre a Alemanha, incluindo alegações absurdas de que o país não tinha acesso à Internet e que as pessoas "já não fazem sexo". Ele negou que a emissora tenha violado qualquer lei.
O estilo de confrontação de Magyar ecoa a abordagem de seu aliado político, o primeiro-ministro polonês Donald Tusk, que adotou medidas drásticas contra a emissora estatal da Polônia após assumir o cargo em 2023. Essa linha de ação sugere que o novo governo húngaro está se preparando para uma batalha significativa no campo da mídia.


