Lula Promete Vetar Projeto de Lei Sobre Mensagens em Massa
O presidente Lula critica uso de inteligência artificial nas eleições e se compromete a barrar minirreforma eleitoral aprovada pela Câmara.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou sua intenção de vetar o projeto de lei da minirreforma eleitoral, aprovado pela Câmara dos Deputados. Essa proposta altera a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle e permite o envio de mensagens em massa para eleitores previamente cadastrados. Lula fez essa declaração na sexta-feira, 22 de maio de 2026, durante uma entrevista ao vivo na edição especial do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, na TV Brasil, um veículo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Riscos da Inteligência Artificial nas Eleições
Durante a conversa, o presidente ressaltou os riscos que o uso da inteligência artificial nas eleições pode representar para a democracia. Ele argumentou que, embora a tecnologia tenha seu valor, não deve ser utilizada na escolha de líderes como prefeitos, governadores ou deputados. "Acho que está na hora de a gente refletir. A inteligência artificial vale para muita coisa, mas não pode valer na disputa eleitoral. As bancadas na Câmara aprovaram algo que vai fomentar o uso de robôs nas eleições, e eu certamente vetarei esse projeto. Vou trabalhar para que o Senado não o aprove e, se necessário, farei o veto", afirmou.
Aprovação Controverso da Minirreforma Eleitoral
Vale lembrar que a minirreforma eleitoral foi aprovada rapidamente na última terça-feira, 19 de maio, em uma votação simbólica que não foi registrada em painel. Essa decisão gerou críticas de várias entidades da sociedade civil. Um dos pontos que chamou a atenção de Lula é que o projeto permite o envio de mensagens automatizadas para eleitores cadastrados, algo que não será considerado irregular. Críticos apontam que essa flexibilização pode facilitar o uso de ferramentas digitais com menos controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em larga escala.
Concentração de Recursos Públicos
Lula também expressou suas preocupações sobre a concentração de recursos públicos nas mãos de parlamentares e partidos, que recebem grandes quantias por meio de fundos eleitorais e emendas. "No passado, eu era favorável a esses fundos, mas hoje sou contra, porque isso levou à promiscuidade na política. Um deputado, atualmente, pode ter R$ 50 milhões ou até R$ 60 milhões em emendas por ano", comentou.
Impacto do Extremismo no Cenário Político
Ao ser questionado por Cissa Guimarães sobre como o cenário político atual se difere de seus mandatos anteriores, Lula destacou o impacto do extremismo, que ele vê como uma tendência mundial, não restrita apenas ao Brasil. "O mundo está diferente, mais nervoso e polarizado. Não é só no Brasil. Nos EUA, há 20 anos, democratas e republicanos conviviam como parceiros, com disputas apenas durante as campanhas eleitorais. Hoje, 90% dos republicanos não aceitam que suas filhas se casem com democratas", observou. O presidente enfatizou a necessidade de repensar a influência dos algoritmos das redes sociais na estrutura social, afirmando: "Não quero perder o humanismo que existe dentro da gente, pois estamos sendo vítimas dos algoritmos".