Lufthansa reduz 20 mil voos de verão por alta nos combustíveis
Aumento nos preços do combustível força a Lufthansa a cancelar voos e reavaliar sua programação na Europa, impactando viajantes e outras companhias aéreas.

A Lufthansa, companhia aérea alemã, anunciou que irá reduzir 20 mil voos de curta distância na Europa durante o verão. Essa decisão ocorre devido ao aumento nos preços do combustível, que tornou muitas dessas rotas "não lucrativas". Desde o início do conflito entre os EUA e Israel com o Irã, o custo do combustível para jatos dobrou, resultado da desaceleração na produção e transporte de petróleo pelo Oriente Médio.
Além da Lufthansa, outras companhias aéreas, como KLM-França e Delta, também estão cortando temporariamente voos e, em alguns casos, aumentando os preços das passagens para repassar os custos aos passageiros. Analistas alertam que os viajantes devem se preparar para mais aumentos nas tarifas e um número crescente de cancelamentos, já que o conflito ainda está em curso.
O Golfo representa uma fonte crucial de combustível para a aviação, respondendo por cerca de 50% das importações da Europa. A maior parte desse combustível chega através do Estreito de Ormuz, que, em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, foi efetivamente fechado pelo Irã.
Com as mudanças, a Lufthansa estima que economizará cerca de 40 mil toneladas métricas de combustível, principalmente pela suspensão de operações da sua subsidiária CityLine. Isso significa que a companhia vai interromper temporariamente voos para destinos como Heringsdorf, Cork, Gdańsk, Ljubljana, Rijeka, Sibiu, Stuttgart, Trondheim, Tivat e Wrocław.
Os passageiros afetados terão direito a reembolso ou a serem remanejados em voos alternativos operados por outras companhias do grupo, como SWISS, Austrian Airlines, Brussels Airlines e ITA Airways, sempre que possível.
Alguns desses cortes podem acabar se tornando permanentes. A Lufthansa também comunicou que está revisando toda a sua programação na Europa e que mais informações serão divulgadas ainda em abril.
Recentemente, a Agência Internacional de Energia alertou que a Europa pode enfrentar uma escassez de combustível para jatos nas próximas semanas, embora tanto o governo do Reino Unido quanto as companhias aéreas tenham afirmado que, por enquanto, não há interrupções no fornecimento.
Para monitorar a situação, a União Europeia anunciou a criação de um observatório de combustíveis, que vai acompanhar a produção, importações, exportações e níveis de estoque de combustíveis de transporte, a fim de identificar possíveis escassezes. A expectativa é que essa iniciativa ajude a "mitigar o impacto dos altos preços do combustível e eventuais escassezes no setor de aviação da UE".
Apesar da redução na rede de voos europeus, a Lufthansa assegura que os passageiros ainda terão acesso à sua vasta rede global, especialmente nas rotas de longa distância, de forma mais eficiente, considerando o aumento nos custos do combustível. O anúncio feito na terça-feira segue a declaração da semana anterior, onde a empresa informou que iria acelerar o fechamento da CityLine, aposentando 27 aeronaves, em resposta ao "aumento significativo" nos preços do combustível e às "cargas adicionais de disputas trabalhistas".