
Lucros do Rali do Tesouro: Oportunidade Após o 1º Turno?
Após o primeiro turno das eleições, a XP Investimentos recomenda cautela e diversificação para investidores, destacando o potencial do crédito privado.
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Atualização em 13 de outubro de 2026, 11h15
O resultado do primeiro turno das eleições impactou significativamente o mercado financeiro, acelerando o fechamento da curva de juros. Observamos que alguns vencimentos do DI recuaram mais de 100 pontos-base em um único pregão. Em contrapartida, o crédito privado isento, que já apresentava uma tendência de alta desde setembro, agora oferece prêmios mais atrativos aos investidores.
Diante desse cenário, a XP Investimentos sugere uma migração cautelosa para debêntures incentivadas. Os analistas Lucas Genoso e Maria Luisa Paolantoni, em um relatório recente, recomendam que os investidores realizem parcialmente os ganhos acumulados em títulos públicos, enquanto começam a diversificar sua carteira com crédito privado de alta qualidade isento de impostos. É importante ressaltar que a XP não aconselha a saída total do risco soberano nem a concentração excessiva em créditos.
Para alguns operadores do mercado, a escassez de papéis isentos tem valorizado os títulos já emitidos, mas existem preocupações sobre como isso pode afetar o financiamento de projetos de longo prazo.
As taxas das debêntures incentivadas também estão em alta, impulsionadas pela menor oferta e pelos resgates em fundos, enquanto o mercado começa a considerar a possibilidade de uma nova taxação nesse segmento.
Segundo a classificação da XP, são considerados high grade os emissores que possuem ratings entre AAA e AA, englobando empresas com alta qualidade de crédito e baixa probabilidade de inadimplência.
No pregão de 5 de outubro, essa tendência se intensificou. A taxa do DI para janeiro de 2029 caiu de 13,75% para 12,65%, um movimento que não era visto há mais de dez anos. No mesmo dia, as NTN-Bs mostraram uma queda na taxa do vencimento 2035, que passou de 7,65% para 7,04%.
Para os investidores que adquiriram esses papéis em taxas mais elevadas, a queda representa uma valorização, especialmente nos vencimentos mais longos. Entre 1º de setembro e 7 de outubro, o Tesouro IPCA+ 2050 teve uma valorização bruta de 17%, enquanto o IPCA+ 2040 subiu 11% no mesmo período.
A XP não prevê uma reversão na curva e acredita que ainda há espaço para novas quedas nas taxas. A continuidade desse movimento, segundo a análise da casa, está ligada à evolução do debate econômico nas próximas semanas, especialmente em relação às propostas para a política fiscal, a formação das equipes econômicas e a trajetória da dívida pública.
No segmento de crédito, o IDEX-Infra, que mede os spreads das debêntures incentivadas, começou outubro em 101 pontos-base sobre a NTN-B de referência, após uma abertura em 44 pontos-base em setembro.
Esse aumento também afetou os emissores de melhor qualidade, abrangendo diversos setores. Notavelmente, Telecom e Agro & Insumos viram seus spreads crescerem 55 e 54 pontos-base, respectivamente, entre agosto e setembro.
Entre os papéis monitorados pela XP, o spread da debênture da São Martinho (SMTO24) saltou de 38 pontos-base em 31 de agosto para 103 pontos-base em 7 de outubro. Atualmente, o título negocia a uma taxa indicativa de IPCA+7,96%, o que equivale a IPCA+9,56% levando em conta a isenção do Imposto de Renda.
