Lobbying em Bruxelas: Aumento da pressão pelo 'Made in Europe'
A estratégia europeia de preferências está a ser alvo de uma intensa pressão por parte dos grupos de pressão, tanto dentro como fora do bloco. Já adiada uma vez, a proposta corre agora o risco de ser novamente adiada.

A Comissão Europeia está em um momento delicado, tentando implementar a chamada 'preferência europeia' nos contratos públicos. Essa iniciativa, que visa privilegiar produtos fabricados na Europa, tem gerado um intenso debate entre as capitais da UE e os parceiros internacionais, conforme reportado pela Euronews.
O principal objetivo dessa proposta é enfrentar a concorrência da China e dos Estados Unidos. No entanto, críticos a classificam como uma medida protecionista. Vários Estados-membros estão fazendo esforços para suavizar a definição de 'made in Europe', buscando garantir acesso a países que compartilham interesses semelhantes.
Funcionários da UE informaram que a Lei do Acelerador Industrial (IAA), que deverá esclarecer o que significa 'made in Europe', pode sofrer um novo atraso. Essa lei estava prevista para ser apresentada no dia 26 de fevereiro, mas já havia sido adiada anteriormente em novembro de 2025.
De acordo com uma informação vazada que chegou à Euronews, a preferência europeia abrangerá setores como químico, automotivo, de inteligência artificial e espacial. Além disso, a proposta sugere limites de origem europeia de 70% para veículos elétricos, 25% para alumínio e 30% para plásticos usados em janelas e portas.
Esse projeto gerou reações intensas. Os países nórdicos e bálticos expressaram preocupações de que um regime de fabricação rigoroso na Europa poderia desencorajar investimentos e restringir o acesso das empresas da UE a tecnologias avançadas de outras nações.
Recentemente, uma fuga de informação revelou que a Comissão estava inclinada a apoiar uma posição mais flexível, semelhante à da Alemanha: uma preferência europeia que se estendesse a parceiros com visões semelhantes, que estivessem dispostos a assumir compromissos mútuos em relação a contratos públicos e que contribuíssem para os objetivos de competitividade, resiliência e segurança econômica da União.
O Reino Unido, por sua vez, tem mostrado desconfiança em relação a essa possível virada protecionista. Funcionários britânicos enfatizaram que as economias da UE e do Reino Unido estão profundamente interligadas. “Não é o momento de alterar o que já está funcionando”, declarou um deles à Euronews.
Vale lembrar que a UE continua a ser o maior mercado de exportação de automóveis britânicos. Além disso, várias montadoras europeias fabricam veículos no Reino Unido, que em 2024, foi o segundo maior destino das exportações da UE, logo atrás dos EUA.
A ministra das Finanças britânica, Rachel Reeves, destacou na semana passada que “quase metade do nosso comércio é com a União Europeia. Nossas trocas comerciais com a UE são quase tão significativas quanto as com o resto do mundo juntos”.
Por fim, fontes britânicas argumentam que a robustez dos mercados de capitais de Londres poderia ser um fator valioso para a UE na busca por investimentos que revitalizem sua indústria, a menos que o bloco decida fechar suas portas.
A Comissão Europeia está agora considerando seus próximos passos, com a intenção de apresentar uma proposta antes da cimeira da UE em março, que se concentrará na competitividade. Contudo, as tensões e as divergências de opiniões ainda estão longe de ser resolvidas.


