Liderança Eficaz em Tempos de IA: O Que Faz a Diferença?
Com a IA transformando funções nas empresas, descubra como líderes podem se destacar na era da informação.
Reprodução Redes Sociais
Data de publicação original: 16/09/2026, 14:10. No cenário atual, a inteligência artificial já desempenha um papel significativo nas empresas, sendo capaz de analisar dados sobre desempenho, auxiliar na contratação e desenvolvimento de talentos, além de automatizar tarefas que antes exigiam muito do tempo dos gestores. Com o avanço dessas ferramentas, surge uma questão crucial: se a tecnologia está assumindo uma parte crescente do trabalho de análise e operação, o que realmente diferencia um bom líder? Michele Martins, executiva de negócios e pessoas na Equanimus, argumenta que o acesso a uma quantidade maior de informações não diminui a importância do gestor; pelo contrário, aumenta a necessidade de que ele saiba interpretar o que a tecnologia oferece. “Um bom gestor que trabalha com dashboard vai precisar ser extremamente estratégico. Ele vai ter que saber como utilizar esses dados que a IA fornecerá em grande quantidade e em alta velocidade”, afirma Michele durante sua participação na terceira temporada do podcast É Mais que Tech, uma parceria entre a Senior Sistemas e o Conexão InfoMoney. O desafio, segundo ela, é entender a complexidade das informações e como elas devem influenciar as decisões. Juliana Maria Silva, que lidera o Senior HCM nas áreas de Talent Acquisition e Talent Management da Senior Sistemas, complementa que essa transformação também exige aprendizado por parte daqueles que ocupam cargos de liderança. Em um contexto onde as empresas demandam mais produtividade e domínio das novas ferramentas, não é viável que os líderes transfiram toda a responsabilidade da adaptação para suas equipes. “Podemos pedir que nosso time mude a mentalidade e use as ferramentas, mas, se não tivermos um entendimento claro de como essas ferramentas funcionam, a mudança deve começar por nós”, destaca Juliana. No entanto, a pressão para incorporar a IA nos negócios pode levar algumas empresas a apressar processos, sem antes avaliar se eles realmente precisam continuar da mesma maneira. Juliana adverte que a eficiência tecnológica não resolve, por si só, problemas que já existem nas operações. “Você não pode escalar o caos. Ao tentar acelerar um processo que já é ruim usando a IA, você deve, na verdade, revisar esse processo primeiro”, enfatiza. Ou seja, o risco está em utilizar a tecnologia apenas para gerar números e resultados rapidamente, sem antes repensar a estrutura que precisa de ajustes. Michele também observa um problema semelhante em relação ao volume de informações disponíveis para os gestores. Ela compara o momento atual ao auge do people analytics, quando a ansiedade por coletar dados muitas vezes vinha antes de se definir o que fazer com eles. “Se ficarmos apenas coletando informações, sem um direcionamento claro sobre onde e como usá-las, acabaremos com um excesso de dados que só traz confusão e mais ansiedade”, alerta a executiva. Para ela, a verdadeira habilidade que torna um líder estratégico é a capacidade de interpretar o cenário e suas complexidades. Dessa forma, o desafio se mantém: à medida que as ferramentas evoluem e as informações se multiplicam, a habilidade de um líder em navegar por esse mar de dados se torna mais essencial do que nunca.
