
Líder do Estado Islâmico é eliminado em operação EUA-Nigéria
A morte de Abu-Bilal al-Minuki, considerado o segundo em comando do IS, marca um avanço significativo na luta contra o terrorismo na África Subsaariana.
The Nigerian military has increased cooperation with the US in efforts to combat extremist violence (file photo)
Nigeria e os Estados Unidos anunciaram a morte de um alto líder do Estado Islâmico (IS) em uma operação conjunta. Abu-Bilal al-Minuki foi caracterizado pelo presidente americano Donald Trump como o "segundo em comando do ISIS globalmente" e "o terrorista mais ativo do mundo". Nos últimos anos, o IS passou por uma transformação radical, com cerca de 90% de seus ataques ocorrendo agora na África Subsaariana. A ramificação do grupo baseada na Nigéria é, de longe, a mais ativa.
O presidente nigeriano, Bola Tinubu, revelou que os dois países realizaram uma "ousada operação conjunta que desferiu um golpe significativo" ao IS. Al-Minuki, que foi designado como Terrorista Global Especialmente Designado por Washington em 2023, foi morto junto com "vários de seus tenentes" durante um ataque ao seu esconderijo na Bacia do Lago Chade, uma vasta região de cursos d'água e pântanos que é compartilhada pela Nigéria, Chade, Níger e Camarões.
Um porta-voz militar afirmou que a inteligência havia confirmado que Minuki tinha estabelecido uma base fortificada na área de Metele, no estado de Borno. A Bacia do Lago Chade é conhecida há muito tempo como um reduto do Boko Haram e de sua facção rival, a Província do Estado Islâmico da África Ocidental (Iswap). A operação começou logo após a meia-noite de sábado, após meses de coleta de informações e reconhecimento. O exército nigeriano relatou que não houve "casualidades ou perdas de ativos", apresentando a operação como um sinal de crescente cooperação entre as forças nigerianas e americanas.
Al-Minuki havia sido promovido a "Chefe da Diretoria Geral de Estados", tornando-se uma das figuras mais seniores dentro da hierarquia global do IS. Antes, ele supervisionava operações ligadas ao IS em toda a região do Sahel e na África Ocidental, incluindo ataques que visavam civis e comunidades minoritárias. O exército também vinculou al-Minuki ao sequestro das meninas de Dapchi em 2018, quando mais de 100 garotas de uma escola em regime de internato no nordeste da Nigéria foram capturadas pelo Boko Haram. Antes de jurar lealdade ao IS em 2015, ele era descrito como um comandante sênior do Boko Haram.
O Boko Haram iniciou sua campanha militar para impor a lei islâmica no norte da Nigéria em 2009. O grupo declarou lealdade ao IS após o que se acreditava ser o então líder Abubakar Shekau postando uma declaração em áudio na conta do Boko Haram no X em 2015. Seu objetivo tem sido estabelecer um "califado", um estado governado por um único líder político e religioso, de acordo com a lei islâmica, ou Sharia. Acredita-se que Abu-Bilal al-Manuki seja originário do estado de Borno, no nordeste da Nigéria. Analistas sugerem que seu apelido provavelmente veio de Mainok, uma cidade na região, seguindo uma tradição comum onde as pessoas são identificadas por suas cidades natais ou nomes de família.
Vale lembrar que o exército nigeriano já havia afirmado ter matado al-Minuki em 2024. Além disso, fez declarações semelhantes sobre outros jihadistas na Bacia do Lago Chade, incluindo alegações feitas em cerca de cinco ocasiões diferentes sobre a morte do ex-líder do Boko Haram, Abu Bakar Shekau, antes que sua morte fosse confirmada em maio de 2021. Trump descreveu a morte de al-Minuki como um golpe significativo para as operações do IS na África.