
Kassab Analisa Relação do PSD com Governo Lula em 2026
Gilberto Kassab discute a aproximação entre o PSD e o governo Lula, destacando a importância de ações econômicas para fortalecer a relação.
Reprodução Redes Sociais
31/10/2026, 10h49
• Atualizado há 6 minutos
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Em uma entrevista ao jornal O Globo, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, analisou a recente derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, esses resultados refletem, em grande parte, os erros cometidos pela campanha da direita, que foram habilmente explorados pela equipe petista.
Kassab comentou que o governo Lula já fez contato com o PSD e que há espaço para uma relação “mais profunda” entre os dois. Ele destacou que, ao optar por Flávio como candidato, a direita “dividiu o centro com o Lula”.
À medida que o senador se tornou mais conhecido fora do Rio de Janeiro, especialmente em outubro, Kassab observou que seu apoio começou a se dissipar. “Ele acabou assustando ao falar em mexer na Constituição”, afirmou, mencionando ainda a rejeição ao seu “linguajar” e à “falta de postura durante os debates”.
Na visão dele, o PT conseguiu acionar o “medo” da volta do bolsonarismo, o que teve um impacto significativo na eleição. Kassab também destacou a relevância das manifestações espontâneas nas ruas e a atuação do deputado federal André Janones (Rede-MG), que evidenciaram a importância da comunicação digital na campanha.
Após ser derrotado por Lula no segundo turno, o senador Flávio Bolsonaro fez uma rápida viagem, cruzando a fronteira com a Argentina e embarcando para os EUA em um voo particular, após a decisão do ministro Moraes de determinar a entrega de seus passaportes.
Sobre a futura relação do PSD com o novo governo Lula, Kassab sugeriu que isso poderia evoluir, contanto que o Planalto sinalize uma abertura ao centro político e adote medidas na área econômica.
Quando questionado sobre se a dinâmica seria diferente, especialmente após o PSD ter controlado três ministérios no governo anterior sem se declarar oficialmente da base, ele respondeu que, em 2023, a legenda decidiu que “se o Planalto convidasse filiados, teria a nossa compreensão”. Ele reiterou que o governo já demonstrou interesse em se aproximar do PSD.
Kassab enfatizou que Lula terá o desafio de unir o País e conquistar mais apoio, algo que, segundo ele, não foi alcançado no terceiro mandato. Ele também ressaltou a importância de que o presidente mantenha compromissos sociais, mas que, para garantir tranquilidade e equilíbrio fiscal, deve colocar à frente da economia figuras como Antonio Palocci e Henrique Meirelles.
“Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos”, acrescentou Kassab, afirmando que isso poderia levar a uma “relação mais profunda” com o governo.
Quando indagado se aceitaria um cargo de ministro no governo Lula 4, ele respondeu: “Não está no meu horizonte, já ocupei duas pastas. Mas é claro que é uma honra e não descarto voltar a servir novamente.”
Kassab também discordou da ideia de que a corrupção tenha perdido importância no debate público e comparou o clima do segundo turno a 2013, onde havia uma forte “indignação”. Ele alertou que se os partidos não endurecerem o discurso contra a corrupção, poderão surgir “movimentos perigosos”.
Por fim, o presidente do PSD lembrou que a polarização “ainda não foi quebrada” e observou que Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e quinto colocado na disputa presidencial de 2026, não conseguiu atrair os eleitores que rejeitaram o cenário atual.