Juros Altos e Crédito Rotativo: Lula Propõe Limitar Cartões

Juros Altos e Crédito Rotativo: Lula Propõe Limitar Cartões

Com juros de 445% ao ano, Lula discute limitar a um cartão de crédito por pessoa para combater endividamento crescente no Brasil.

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era de 445% ao ano em agosto, segundo dados do Banco Central — Foto: Getty Images via BBC Brasil

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g1 — Brasília

• 02/10/2026, 09h12 Atualizado 02/10/2026

Em agosto, o juro médio do crédito rotativo do cartão de crédito atingiu alarmantes 445% ao ano, segundo o Banco Central. Essa situação preocupante no mercado financeiro levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se manifestar sobre a necessidade de limitar o número de cartões de crédito por pessoa.

O uso dessa linha de crédito, uma das mais onerosas, alcançou um recorde em 2026, com contratações que somaram R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses, superando os R$ 266 bilhões do mesmo período do ano anterior. As concessões de crédito rotativo estão prestes a igualar o total de R$ 403 bilhões registrado em 2025.

Essa modalidade de crédito é frequentemente apontada como uma das principais causas do elevado endividamento da população brasileira. O crédito rotativo é utilizado por aqueles que não conseguem quitar a fatura do cartão na data de vencimento, resultando em uma espiral de dívidas.

Na última quinta-feira (1), em meio à intensa corrida eleitoral, Lula afirmou que está em diálogo com o Banco Central sobre a possibilidade de proibir que uma pessoa tenha mais de um cartão de crédito. Essa medida visa conter o crescente endividamento da população, que se tornou um problema sério, com o uso do cartão rotativo sendo um dos principais fatores desse cenário.

De acordo com o Banco Central, no início de 2026, cerca de 101 milhões de brasileiros possuíam cartões de crédito, representando quase metade da população do país. Além disso, aproximadamente 40 milhões estavam enfrentando dívidas no crédito rotativo em janeiro.

Os números são preocupantes: a taxa de inadimplência nessa linha de crédito atingiu 63,5%, o que significa que, em média, mais de R$ 60 a cada R$ 100 emprestados não foram pagos.

Como evitar o endividamento com cartão de crédito?

Os juros do cartão de crédito rotativo, os mais altos do mercado, foram de 445% ao ano em agosto. Para comparação, as taxas do crédito consignado variam entre 24% e 56% ao ano.

Analistas alertam que essa forma de crédito deve ser evitada. A recomendação é clara: os clientes devem sempre tentar pagar o valor total da fatura mensalmente.

Um olhar mais atento aos dados do Banco Central revela que, entre 2012 e 2020, a concessão de crédito por meio do cartão rotativo não ultrapassou R$ 225 bilhões em um único ano, com variações anuais que alternaram entre altos e baixos. Os anos de 2020 e 2021 foram marcados pelo pagamento do Auxílio Emergencial, que injetou recursos excepcionais na economia durante a pandemia, permitindo que as pessoas se mantivessem à tona em meio ao distanciamento social.

Com o fim do Auxílio Emergencial em 2022, as concessões de novos empréstimos no cartão de crédito rotativo dispararam, alcançando novos patamares e superando os R$ 400 bilhões em 2025. O aumento no uso do cartão rotativo está diretamente relacionado ao cenário econômico pós-pandemia, onde a inflação voltou a pesar no bolso do consumidor.

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