Júri do Caso Henry: O Mais Longo do Rio de Janeiro
O julgamento que completa oito dias destaca a gravidade do caso Henry Borel, envolvendo acusações de violência familiar e omissão.

O julgamento do caso Henry Borel, que ocorre no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, completou oito dias nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026. Esta sessão se tornou a mais longa no Tribunal do Júri do estado, superando o caso da deputada federal cassada Flordelis, que foi condenada em novembro de 2022 a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato do ex-marido, o pastor Anderson do Carmo.
O atual julgamento envolve Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros da Costa e Silva, réus pela morte do filho dela, Henry Borel, que faleceu em março de 2021, aos quatro anos. Jairinho, que na época era vereador em seu quinto mandato, era padrasto de Henry. O Ministério Público alega que a criança morreu devido a agressões cometidas por Jairinho, Médica confirma que Henry Borel chegou ao hospital sem vida enquanto Monique teria se omitido diante da violência.
Hoje, o perito Leonardo Huber Tauil prestou seu depoimento. Ele é responsável pelo laudo cadavérico do menino, elaborado no Instituto Médico Legal (IML). Até o momento, ele é o 21º a ser ouvido e reafirmou que a morte de Henry foi causada por "hemorragia interna resultante de lesão hepática por ação contundente". Além de assinar o laudo inicial, Tauil participou de seis complementos e visitou o apartamento onde, segundo as investigações, Henry teria sido agredido. Durante a visita, ele não encontrou móveis que pudessem ter causado a lesão fatal.
Na primeira versão apresentada por Jairinho e Monique, a explicação era de que Henry havia tropeçado e caído da cama. Durante seu depoimento, Tauil também respondeu a questões da defesa, incluindo erros no laudo, como a incorreção sobre o hospital de origem do corpo e a confusão acerca da cor dos olhos do menino.
Enquanto imagens do corpo de Henry eram exibidas, Monique deixou o plenário, uma ação que já havia ocorrido anteriormente. Desde o dia 25 de maio, várias testemunhas foram ouvidas, e os depoimentos das defesas de Monique e Jairinho agora apresentam posições divergentes. O pai de Henry, Leniel Borel, depôs contra o ex-casal, afirmando que Monique também é responsável pela morte do filho. Duas ex-namoradas de Jairinho relataram agressões que ele teria cometido contra seus filhos.
Por outro lado, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, irmão de Monique, fez uma descrição positiva de sua irmã e do ambiente familiar. A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, confirmou ter alertado Monique sobre agressões de Jairinho e revelou que, após a morte de Henry, recebeu orientações de Monique para apagar as mensagens entre elas. Das 27 testemunhas convocadas, quatro já foram dispensadas, e Jairinho optou por dispensar o psicólogo.
Atualizado há 1 hora
Na madrugada desta quinta-feira, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel. Monique Medeiros da Costa e Silva, mãe de Henry, teve seu crime desclassificado e recebeu o perdão judicial. A decisão, que encerra um dos julgamentos mais longos do estado, destacou a violência desproporcional de Jairinho e a complexidade do papel de Monique, que já sofreu castigos severos e desproporcionais, segundo a juíza Elizabeth Machado Louro. O pai de Henry, Leniel Borel, já anunciou que recorrerá da decisão referente a Monique.