Jovens da Polônia dizem não à inteligência artificial na publicidade

A agência de marketing polaca Tears of Joy decidiu investigar como as campanhas publicitárias que usam inteligência artificial estão sendo recebidas pelo público. E os resultados, divulgados recentemente, trazem algumas revelações interessantes.
De acordo com o relatório, a frustração com anúncios gerados por IA é mais acentuada entre os consumidores mais jovens, especialmente aqueles entre 18 e 24 anos. Essa faixa etária parece estar mais atenta e crítica em relação a essas tecnologias.
Uma exigência importante que surgiu com o AI Act, uma nova legislação europeia que entrou em vigor na Polônia em 2 de agosto de 2026, é que as campanhas que utilizam inteligência artificial devem ser claramente identificadas. O que se observa é que, apesar de o regulamento ser relativamente novo, 74% dos consumidores já notaram essas menções.
E aqui está um dado curioso: os jovens percebem essas indicações mais de duas vezes em comparação com os mais velhos. Para ser mais específico, 64% dos entrevistados com idades entre 18 e 24 anos notam essas menções, enquanto apenas 31% dos que têm entre 55 e 64 anos fazem o mesmo.
Além disso, a forma como as marcas se posicionam em relação ao uso da IA impacta sua imagem.
Mais da metade dos entrevistados, 53%, afirmou que sua confiança na marca diminui ao ver que a inteligência artificial foi utilizada em um anúncio. E não para por aí: 48% confessaram que têm menos confiança nas informações apresentadas nesses tipos de publicidade.
O estudo também revelou que 18% dos consumidores afirmaram que, se soubessem que um anúncio foi criado totalmente por IA, desistiriam de comprar o produto. Outros 25% admitiram que pensariam duas vezes antes de realizar a compra.
Esses dados são surpreendentes, especialmente ao notar que a aversão à inteligência artificial no marketing é mais forte entre os mais jovens.
Por exemplo, 43% das pessoas entre 18 e 24 anos acreditam que o uso de IA na publicidade prejudica sua confiança na marca. No geral, 73% desse grupo etário considera que a presença de IA nos anúncios diminui a confiança no anunciante.
A pesquisa ainda aponta que, para 38% dos jovens entrevistados, anúncios criados exclusivamente com IA são suficientes para fazê-los desistir de adquirir o produto promovido.
Quando se trata de preferências, a maioria esmagadora dos jovens consumidores, 76%, prefere anúncios que apresentem pessoas, locais, objetos ou animais reais.
Já 68% dos entrevistados nessa faixa etária acredita que a utilização de IA na publicidade é uma maneira mais fácil para as marcas economizarem, sacrificando a qualidade. Curiosamente, entre os que têm entre 55 e 64 anos, apenas 37% compartilham dessa opinião.
Outro ponto a ser destacado é que "imagens, gráficos e personagens com aspecto artificial" são os elementos que mais irritam os jovens.
Para 53% dos entrevistados com idades entre 18 e 24 anos, isso é um grande problema. Entre os mais velhos, a insatisfação é menor: apenas 35% compartilham essa visão.
Por outro lado, a "repetição constante da mesma mensagem" é o que mais irrita os consumidores mais velhos. Essa questão foi mencionada por 46% dos entrevistados com idades entre 55 e 64 anos.
Em resumo, o uso da inteligência artificial na publicidade está se revelando um tema polêmico e que merece atenção, especialmente quando se trata das percepções dos consumidores mais jovens.


