Joshua Wong recebe mais 10 anos de prisão por conluio em HK

Joshua Wong recebe mais 10 anos de prisão por conluio em HK

Ativista pró-democracia enfrenta nova condenação em Hong Kong, refletindo o endurecimento da repressão política na região.

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Reprodução Redes Sociais

Joshua Wong, um conhecido ativista pró-democracia de Hong Kong, recebeu, nesta quinta-feira, uma nova condenação que o manterá na prisão por mais dez anos, em virtude de acusações de conluio com potências estrangeiras. Wong ganhou notoriedade internacional durante o “Movimento dos Guarda-chuvas”, que mobilizou Hong Kong em 2014. Desde então, ele já passou quase seis anos encarcerado e, se as previsões se confirmarem, só deverá ser libertado no final de 2036.

Recentemente, seu tempo de detenção parecia estar chegando ao fim, com a possibilidade de liberdade em janeiro, após cumprir quatro anos e oito meses por “subversão”, uma acusação fundamentada na lei de segurança nacional imposta por Pequim. No entanto, em junho do ano passado, as autoridades de Hong Kong decidiram usar a mesma legislação para apresentar novas acusações contra Wong, alegando que ele teria colaborado com outros países e entidades para aplicar sanções ao centro financeiro e à própria China.

Em fevereiro, o magnata da mídia e defensor da democracia, Jimmy Lai, já havia sido condenado a 20 anos de prisão sob as mesmas diretrizes legais. Durante o julgamento, o tribunal caracterizou Wong e Nathan Law, outro líder estudantil que se encontra em exílio e é procurado pelas autoridades, como “cabecilhas ou mentores” em uma suposta conspiração que ameaça a segurança nacional. O juiz William Tam indicou que, devido à gravidade do crime, Wong poderia ter enfrentado uma pena de prisão perpétua, mas, ao considerar a confissão de culpa do ativista, decidiu que um “ponto de partida adequado” seria de 13 anos, reduzidos para 10.

Com uma forte presença policial no tribunal, Wong entrou na sala com um semblante sereno, vestindo uma camisa azul e óculos escuros, e acenou para seus apoiadores. Em uma carta que foi apresentada ao tribunal, Wong expressou suas esperanças de sair da prisão em 2027, mas a nova acusação fez com que ele sentisse como se estivesse começando tudo de novo. Ele ressaltou que seu futuro não seria determinado pelos eventos ocorridos antes de 2020, afirmando que os anos passados encarcerado têm proporcionado “lições profundas” em sua vida.

Após a leitura da sentença, ele agradeceu e acenou para os apoiadores que o aguardavam do lado de fora, onde alguns estavam em lágrimas e outras vozes se ouviam dizendo: “Vamos esperar pela sua libertação”.

O caso de Wong ilustra como Pequim mantém um controle rigoroso sobre Hong Kong, e Steve Tsang, diretor do China Institute da SOAS University of London, comentou que não há espaço para retornar aos dias mais tranquilos que antecederam 2019. A Human Rights Watch classificou a condenação como “cruel e injusta” e fez um apelo a governos estrangeiros para que implementem sanções direcionadas aos responsáveis pela crescente repressão em Hong Kong. Taiwan também se manifestou, criticando a “perseguição política sem fim” contra os ativistas pró-democracia da região após a condenação de Wong. O principal órgão de Taiwan encarregado da política em relação à China afirmou que Pequim e o governo de Hong Kong estão utilizando “instrumentos autoritários” para “fabricar acusações e perpetuar uma perseguição política interminável”.

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