Joaquim Arena: A Europa Negra em 'Debaixo da Nossa Pele'

O autor luso-cabo-verdiano revela histórias esquecidas da Europa negra e discute identidade no Clube de Leitura do CCBB-RJ.

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Joaquim Arena: A Europa Negra em 'Debaixo da Nossa Pele'
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Revelar uma Europa negra, frequentemente esquecida das narrativas tradicionais, é a proposta do autor luso-cabo-verdiano Joaquim Arena. Ele faz isso de forma impactante em seu livro "Debaixo da nossa pele", publicado em 2017.

Com base em suas viagens por Portugal e na exploração de arquivos e relatos, Arena se dedica a reconstruir as histórias de personagens negros que, por muito tempo, permaneceram à margem. Essa jornada também se entrelaça com a migração cabo-verdiana para Lisboa e reflete sua própria trajetória.

Nascido na Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, em 1964, Arena é filho de pai português e mãe cabo-verdiana. Ele passou grande parte de sua vida em Lisboa, onde se formou em direito e iniciou sua carreira de jornalista.

Atualmente, ele se encontra no Rio de Janeiro para participar do Clube de Leitura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ), marcado para esta quarta-feira, dia 14, às 17h30.

Com um currículo que inclui seis romances traduzidos para várias línguas, Arena é também o autor de "Siríaco e Mister Charles", obra que conquistou o Prémio Oceanos de Literatura em 2023, na categoria Prosa. Hoje, ele vive em Cabo Verde, na cidade da Praia.

O encontro, que tem como tema “Romance histórico: onde a realidade encontra a ficção”, oferece uma oportunidade única para discutir questões como memória, pertencimento e identidade, refletindo sobre as marcas do passado colonial que ainda ressoam no presente.

Baseando-se em sua obra, o evento busca conectar as experiências históricas e culturais de Cabo Verde e Brasil, dois países que passaram por intensos deslocamentos populacionais e encontros de culturas, além de suas relações com a Europa.

Arena compartilha que "Debaixo da nossa pele" aborda a miscigenação e a movimentação de povos africanos em direção à Europa. Ele sugere que o público encontrará semelhanças com a formação do Brasil.

“Esse livro fala sobre a condição humana de movimentação, onde as pessoas se deslocam de um lugar para outro devido a fatores econômicos, sociais e políticos. Essa circulação ainda persiste, e é algo positivo, que abre portas para novas oportunidades na vida de muitos”, explica o autor.

Para Arena, a história possui um poder de atração que muitas vezes supera o presente. “Sou levado a explorar, entre os fatos históricos, os vazios. Esses espaços em branco são o que busco preencher por meio da minha ficção. Aproveito episódios verídicos que me inspiram a criar personagens. Se a curiosidade não me leva a descobrir mais, então eu invento essas personagens”, revela.

Ele teve seu primeiro contato com a literatura brasileira aos 12 anos, através de Jorge Amado. Um livro que o marcou profundamente foi "Meu pé de laranja lima", de José Mauro de Vasconcelos, que também fez parte de sua formação literária. Arena vê isso como uma porta de entrada para uma literatura que transcende as barreiras de ser apenas portuguesa, europeia ou africana.

“Para nós, oriundos das antigas colônias portuguesas, a literatura brasileira se apresenta como uma janela para um mundo muito parecido com o nosso. Jorge Amado, com sua Bahia vibrante, influencia muitos autores lusófonos na África. E assim, vamos caminhando.”

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