
Israel prorroga detenção de ativistas da Flotilha até 10 de maio
Decisão do tribunal israelense amplia detenção de Saif Abu Keshek e Thiago Avila, sem acusações formais, até 10 de maio de 2026.
Reprodução Redes Sociais
Um tribunal em Israel decidiu prorrogar a detenção sem acusação dos ativistas Saif Abu Keshek e Thiago Avila até o dia 10 de maio de 2026. Essa informação foi repassada pelos advogados deles. A decisão foi tomada na terça-feira por um tribunal de Ashkelon, localizado no sul do país, e estende a detenção por mais seis dias, seguindo um pedido da polícia, que argumentou precisar de mais tempo para realizar um novo interrogatório. Até agora, não houve qualquer acusação formal contra os dois.
Ambos foram levados para Israel na semana passada após a sua detenção pelas forças israelitas, enquanto participavam da Flotilha Global Sumud, uma iniciativa internacional que partiu de vários países europeus com o intuito de romper o bloqueio a Gaza e levar ajuda humanitária.
A intercepção aconteceu em águas internacionais, a várias centenas de quilômetros da costa do enclave palestiniano, próximo à Grécia. Depois dessa operação, muitos ativistas foram transferidos para a ilha grega de Creta e acabaram libertados, mas Abu Keshek e Avila permanecem detidos em Israel.
Como forma de protesto contra a situação em que se encontram, os dois ativistas entraram em greve de fome, conforme informações da organização israelita de defesa dos direitos humanos Adalah, que está representando-os. As autoridades israelitas estão investigando-os por supostos crimes, como "ajudar o inimigo em tempo de guerra" e possíveis ligações com organizações tidas como terroristas, embora, até o momento, nada tenha sido formalmente acusado.
A defesa argumenta que a detenção é ilegal e anunciou a intenção de recorrer da decisão do tribunal, afirmando que a intercepção ocorreu em águas internacionais, portanto fora da jurisdição israelita.
Além disso, advogados e organizações de apoio têm denunciado alegações de maus-tratos e condições severas de detenção. Segundo esses relatos, ambos teriam sido submetidos a confinamento solitário, mantidos sob luz constante e transferidos com os olhos vendados, embora Israel tenha negado todas essas acusações.
O governo espanhol reiterou seu pedido pela "libertação imediata" do seu cidadão e exigiu o respeito aos direitos dele, em linha com as reações que têm surgido desde o conhecimento da intercepção da flotilha. Vale ressaltar que esse caso ocorre após a justiça israelita ter inicialmente prolongado a detenção por dois dias no fim de semana passado, e agora essa nova prorrogação.
O episódio gerou reações políticas e manifestações pedindo a libertação dos dois ativistas. Em Bruxelas, faixas e bandeiras palestinianas foram vistas em frente à Embaixada de Israel, e em Madrid, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, houve outros protestos.
Um grupo de eurodeputados chegou a descrever a intercepção da Flotilha como "um ato de pirataria", exigindo a imediata libertação dos ativistas. Em uma carta dirigida ao chefe da missão israelita junto à UE e ao embaixador de Israel na Bélgica, os signatários sustentam que a operação ocorreu em águas internacionais e, portanto, estaria fora da jurisdição israelense.
Atualizado há menos de 1 hora
No domingo, os ativistas Saif Abu Keshek, de nacionalidade espanhola, e o brasileiro Thiago Avila foram deportados por Israel após serem detidos a bordo de uma flotilha rumo a Gaza em águas internacionais. Essa informação foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores. Os ativistas faziam parte de uma segunda Flotilha Global Sumud, lançada da Espanha em 12 de abril, com o objetivo de romper o bloqueio de Israel a Gaza e entregar ajuda ao enclave. O Ministério das Relações Exteriores de Israel alegou que Abu Keshek era suspeito de afiliação a uma organização terrorista, enquanto Ávila era suspeito de atividade ilegal. Ambos negaram as acusações, afirmando que estavam em uma missão humanitária para a população civil de Gaza e que sua prisão em águas internacionais era ilegal.