Iraniana Narges Mohammadi, Nobel da Paz, condenada a mais 7 anos
Os apoiantes de Narges Mohammadi, que foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz em 2023, disseram que ela estava em greve de fome desde 2 de fevereiro.

O Irã condenou Narges Mohammadi, a laureada com o Prêmio Nobel da Paz, a mais de sete anos de prisão após ela iniciar uma greve de fome. Seu advogado, Mostafa Nili, confirmou a sentença através do Twitter. Essa decisão foi proferida no último sábado por um tribunal revolucionário na cidade de Mashhad. Anteriormente, Mohammadi já havia sido condenada a cerca de 14 anos de prisão por outras acusações.
As autoridades iranianas ainda não se pronunciaram sobre essa nova sentença. Nili explicou que Mohammadi recebeu seis anos de prisão por "reunião e conluio", além de um ano e meio por propaganda, e ainda, dois anos de proibição de viajar. A ativista também foi sentenciada a mais dois anos de exílio interno na cidade de Khosf, situada a cerca de 740 quilômetros a sudeste de Teerão, a capital.
De acordo com seus apoiantes, Mohammadi está em greve de fome desde o dia 2 de fevereiro. No passado mês de dezembro, ela foi detida durante uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, um advogado iraniano que lutava pelos direitos humanos. Imagens daquela manifestação mostram Mohammadi gritando por justiça, não apenas para Alikordi, mas também para outros que enfrentam a opressão.
As novas condenações contra ela ocorrem em um momento delicado, em que o Irã tenta negociar com os Estados Unidos sobre seu programa nuclear, buscando evitar a ameaça de um ataque militar do presidente Donald Trump. O principal diplomata iraniano afirmou que a força de Teerão se baseia na sua habilidade de "dizer não às grandes potências", adotando uma postura firme após as negociações recentes em Omã.
Atualmente, a saúde de Mohammadi está "em deterioração", segundo seus apoiantes, especialmente após a greve de fome que durou quase uma semana. Antes de sua detenção em dezembro, seus apoiantes já tinham alertado sobre o risco de ela ser enviada de volta à prisão, já que havia recebido uma licença em dezembro de 2024 devido a problemas de saúde. Embora essa licença tivesse um prazo de apenas três semanas, sua permanência fora da prisão foi se estendendo, possivelmente devido à pressão de ativistas e potências ocidentais.
Mohammadi continuou seu ativismo, participando de protestos públicos e aparecendo na mídia internacional, manifestando-se em frente à famosa prisão de Evin, onde esteve detida. Ela já cumpriu 13 anos e nove meses de prisão por conluio contra a segurança do Estado e por propaganda contra o governo iraniano. Além disso, apoiou os protestos nacionais que surgiram após a morte de Mahsa Amini em 2022, evento que desencadeou uma onda de mulheres desafiando abertamente o governo ao não usarem o hijab.
Durante seu tempo na prisão, Mohammadi sofreu vários ataques cardíacos e, em 2022, foi submetida a uma cirurgia de emergência. No final de 2024, seu advogado revelou que os médicos descobriram um...
Atualizado há 3 horas
Em janeiro deste ano, a partir da prisão, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão feita pelas autoridades de Teerã, na casa do seu irmão na cidade iraniana de Mashhad. Em comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da Prêmio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência. No texto publicado no perfil da ativista, a fundação afirma que o ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses. A ativista não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015. A última chamada telefônica com a família data de 14 de dezembro. A agência de notícias Efe relatou, no início do ano, citando fontes que não se quiseram se identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a vida dela em grave perigo.