Irã Reage a Novas Sanções dos EUA: 'Sinal de Desespero'
Ministro iraniano critica ameaças de sanções americanas e reafirma a resistência do país, destacando a necessidade de diálogo respeitoso.
Por Reuters — Dubai
23/08/2026 09h41 Atualizado 23/08/2026 09h41
Neste domingo, 23, o ministro das Relações Exteriores do Irã classificou as ameaças de novas sanções por parte dos Estados Unidos como um “sinal de desespero”. Segundo ele, as medidas que estão por vir não conseguirão derrotar Teerã.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que deve realizar uma coletiva de imprensa às 15h (horário de Brasília) na segunda-feira, alertou sobre a possibilidade de impor “as sanções mais duras da história” contra o Irã. A economia iraniana já está sob pressão intensa devido às sanções internacionais. Sua infraestrutura tem sido severamente afetada e, desde o início das ofensivas dos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, milhares de vidas foram perdidas em ataques aéreos contra a República Islâmica.
Quase seis meses após o início do conflito, a postura de Teerã permanece desafiadora. O tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte global de petróleo, está praticamente paralisado, já que o Irã se recusa a permitir a passagem de petroleiros não autorizados. Esse bloqueio tem contribuído para a elevação dos preços internacionais do petróleo. Em um vídeo divulgado no Telegram, o chanceler iraniano Abbas Araqchi comentou as ameaças americanas, chamando-as de “roteiros repetitivos”.
Araqchi ressaltou: “O fato de eles (os líderes dos EUA) terem passado das operações militares para ressuscitar os mesmos velhos planos mostra que estão desesperados.” Ele enfatizou que Washington precisa dialogar com Teerã de maneira respeitosa para encontrar “uma solução baseada na justiça e na honra”.
“Nunca tivemos medo. Todas as ações deles — sejam bloqueios ou outras medidas militares — fracassaram, e essa nova iniciativa também não terá sucesso”, afirmou.
Do lado americano, o presidente Donald Trump deixou claro que qualquer país que ofereça “qualquer tipo de ajuda ao Irã” poderá enfrentar consequências econômicas. Bessent, por sua vez, pediu a cooperação da China, que, de acordo com dados de 2025 da consultoria Kpler, compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã. A China tem defendido uma solução diplomática para o conflito.
Além disso, o Irã anunciou que o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, visitará Teerã na segunda-feira em uma tentativa de restaurar a paz e a segurança na região, embora os detalhes ainda sejam escassos. O Paquistão tem atuado como mediador e uma fonte do governo paquistanês revelou que Munir discutirá os desdobramentos recentes, incluindo a ameaça americana de novas sanções.
Na sexta-feira, Trump declarou que Washington está acompanhando “o que acontece” no conflito. “Eles adorariam fazer um acordo, mas, na minha opinião, não estão prontos para fazer o acordo certo”, comentou sobre o Irã.
Os ataques americanos já causaram um impacto significativo na capacidade econômica do Irã, devastando tanto sua Marinha quanto sua Força Aérea. No entanto, Teerã ainda mantém uma capacidade considerável de mísseis e drones, o que dificulta o tráfego de petroleiros e permite ataques a rivais regionais. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, também se manifestou sobre a situação, reafirmando a resiliência do país diante das adversidades.