Irã Eleva Preço da Gasolina em Meio a Crise de Abastecimento
Aumento no preço da gasolina no Irã ocorre devido à escassez causada pela guerra com os EUA e bloqueios, afetando a população e a inflação.
Postagem Atualizada - 07/09/2026, 14h18
O Irã anunciou um aumento nos preços da gasolina, uma decisão que surge em meio a uma crise de abastecimento de combustível, acentuada pela guerra e pelo bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos. Essa medida, embora necessária do ponto de vista governamental, pode não ser bem recebida pela população, já que a inflação no país já se encontra em patamares elevados.
Atualmente, os combustíveis no Irã são amplamente subsidiados, tornando-se alguns dos mais acessíveis do mundo. Cada motorista tem direito a uma cota de 110 litros de gasolina, que custa apenas 30 mil riais iranianos — cerca de US$ 0,013 por litro.
A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, revelou que, apesar de a cota permanecer inalterada, os preços da gasolina que excederem esse limite subirão de 50 mil riais para 100 mil riais por litro a partir da próxima terça-feira. Na prática, isso representa um ajuste significativo para quem depende do combustível além da cota.
Mohajerani justificou o aumento afirmando que "o crescimento no consumo e o desbalanceamento entre oferta e demanda" tornaram essa mudança inevitável. Além disso, ela garantiu que "toda a renda obtida com o aumento dos preços será destinada a apoiar a renda da população".
É importante notar que, apesar de o Irã possuir vastas reservas de petróleo e gás, a capacidade de refino do país é limitada. O consumo elevado — impulsionado por um sistema de transporte público que deixa a desejar e veículos pouco eficientes — levou, nos últimos anos, o governo a importar gasolina para cobrir a discrepância entre oferta e demanda.
A situação se complicou ainda mais desde o início do conflito com os Estados Unidos e Israel, em fevereiro. O Irã perdeu parte de sua capacidade de refino devido a ataques a instalações petrolíferas e petroquímicas, enquanto o bloqueio americano a portos no sul do país, em vigor desde abril, dificultou a importação de combustível, obrigando o governo a recorrer a suas reservas estratégicas.
O presidente Masoud Pezeshkian tem alertado que os preços subsidiados atuais não são sustentáveis e estão colocando uma pressão significativa na economia. Contudo, muitos iranianos consideram o acesso à gasolina barata como um direito, e recordam que um aumento abrupto em 2019 resultou em protestos violentos e mortes em todo o país.
Economistas estão preocupados com o impacto que um aumento nos preços dos combustíveis pode ter sobre a inflação, que já se aproxima de 90% em um ano, enquanto a moeda nacional despenca, atingindo a marca de 2,25 milhões de riais por dólar.
Mohammad Sadegh Azimifar, presidente da Companhia Nacional Iraniana de Refino e Distribuição de Petróleo, afirmou que a produção interna de gasolina atingiu recentemente os "maiores níveis da história", mas o país ainda enfrenta um déficit diário de 10 milhões de litros. Ele acrescentou que “85% da população não será afetada por essa mudança de preço, que se aplicará apenas ao consumo de combustível que excede o padrão considerado normal”.
Ademais, a tensão entre os EUA e o Irã continua, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz. No último mês, Washington ajustou sua estratégia, intensificando a pressão econômica para tentar isolar Teerã, com a ampliação de sanções secundárias contra parceiros comerciais iranianos.