Investigação sobre desabamento em SP: 5 mortos e desaparecidos
A Prefeitura de São Paulo inicia apuração sobre desabamento fatal na zona leste, que deixou cinco mortos e uma pessoa desaparecida, revelando falhas na fiscalização.
Na manhã de 13 de setembro de 2026, a Prefeitura de São Paulo anunciou a abertura de uma investigação na Controladoria-Geral do Município (CGM) sobre a fiscalização do prédio que desabou e atingiu uma casa vizinha na Rua Tequici, localizada na Penha, zona leste da cidade. O trágico acidente ocorreu por volta das 2h de sábado, dia 12. Até o momento, cinco vítimas fatais foram confirmadas e uma pessoa ainda está desaparecida sob os escombros. O edifício em construção, com 11 andares, colidiu com o imóvel ao lado, que abrigava nove pessoas, incluindo uma família boliviana que operava uma oficina de costura. Duas mulheres, uma delas grávida, perderam a vida nas primeiras horas do resgate. Durante o dia e a noite, o Corpo de Bombeiros conseguiu recuperar mais três corpos. Por outro lado, uma menina de 7 anos e um homem de aproximadamente 30 anos foram resgatados com vida e levados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Municipal do Tatuapé – Dr. Cármino Caricchio. A operação de busca e salvamento se estendeu por mais de 21 horas na noite de sábado, mobilizando 59 bombeiros e 20 viaturas, além de equipes da Defesa Civil e da Prefeitura. Cães farejadores também foram utilizados nas buscas, evidenciando a intensidade da operação. De acordo com o Corpo de Bombeiros, os trabalhos continuarão até que todos os desaparecidos sejam localizados, sem uma previsão clara para o término das atividades. A Defesa Civil já interditou três residências que ocupam o mesmo terreno da casa afetada e mantém equipes monitorando a situação na região. As causas do desabamento ainda estão sendo investigadas. A corporação ressalta que não se pode atribuir o acidente apenas às fortes chuvas que afetaram a cidade na madrugada de sábado. Segundo informações da Prefeitura, a construção teve início em 2019, mas foi realizada sem alvará e já havia enfrentado diversas fiscalizações por parte da Subprefeitura da Penha. O município impôs multas, incluindo uma no valor de R$ 119 mil, e determinou a interdição da obra. Um pedido de alvará feito pelo responsável pela construção naquele ano foi negado. Diante do não cumprimento das determinações, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça em 2021 e conseguiu uma liminar que ordenava a paralisação imediata das atividades. Em 2022, foi apresentado um novo projeto para o terreno à Prefeitura. Em agosto de 2023, um novo alvará foi concedido, mas com a condição de que a estrutura anterior fosse demolida. Em fevereiro de 2024, uma vistoria resultou em um laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura Penha, que atestou que a demolição havia sido cumprida. Entretanto, essa vistoria está no centro da investigação da CGM. Constatações feitas através de checagens com moradores da área e imagens de satélite indicam que a demolição exigida no alvará de 2023 pode não ter sido realizada conforme o necessário. Como resultado, a servidora responsável pelo laudo foi afastada de suas funções por 30 dias. O controlador-geral do Município, Daniel Falcão, afirmou que essa medida visa evitar qualquer tipo de interferência nas apurações em andamento. Essa situação trágica levanta questões profundas sobre a fiscalização e a segurança em obras na cidade. A espera por respostas e justiça é o que todos esperam agora.
