Investigação na Coreia do Sul: Drone enviado à Coreia do Norte?
Pyongyang afirmou ter abatido um drone de vigilância no início de janeiro, acusando Seul de ter enviado o avião para recolher informações sobre "alvos importantes".
As autoridades da Coreia do Sul realizaram uma operação na agência de serviços secretos do país na última terça-feira, dentro de uma investigação sobre um suposto incidente envolvendo um drone que teria cruzado a fronteira para a Coreia do Norte. Esse episódio levanta preocupações sobre a possibilidade de complicar os esforços de Seul para melhorar as relações com Pyongyang.
Em janeiro, a Coreia do Norte declarou que havia abatido um drone de vigilância próximo ao centro industrial de Kaesong, acusando seu vizinho de tentar coletar informações sobre "alvos importantes". Por outro lado, Seul refutou qualquer participação oficial, e o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, ressaltou que tal ato seria como "disparar um tiro contra o Norte".
Na terça-feira, uma força tarefa conjunta composta por militares e policiais anunciou que estava investigando três soldados ativos e um funcionário da agência de espionagem para "apurar a verdade dos fatos". Os investigadores sul-coreanos realizaram buscas em 18 locais relevantes, entre eles o Comando de Inteligência da Defesa e o Serviço Nacional de Inteligência.
A Coreia do Norte, através da agência estatal Korean Central News Agency, disse que o drone abatido carregava "equipamento de vigilância". Inclusive, foram divulgadas fotos que mostram os destroços de uma aeronave com componentes que, segundo relatos, incluíam câmaras. O porta-voz militar norte-coreano afirmou que o drone armazenava imagens de "alvos importantes", como áreas nas proximidades da fronteira.
Vale lembrar que o ex-presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk-yeol, foi anteriormente acusado de usar drones não tripulados para disseminar panfletos de propaganda sobre a Coreia do Norte em 2024. Lee expressou sua intenção de restaurar os laços com o Norte, prometendo evitar esse tipo de provocação. Ele chegou até a sugerir que um pedido de desculpas, embora raro, poderia ser apropriado. "Sinto que devo pedir desculpa, mas hesito em dizê-lo em voz alta", comentou em dezembro. "Preocupa-me que, se o fizer, possa ser usado como munição em batalhas ideológicas ou acusações de ser pró-Norte."
O ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, já havia sugerido que a alegada incursão poderia envolver funcionários ainda leais ao ex-líder de linha dura, Yoon. Até agora, três civis enfrentam acusações relacionadas ao escândalo dos drones. Um deles assumiu publicamente a responsabilidade, afirmando que sua intenção era detectar níveis de radiação provenientes das instalações de processamento de urânio de Pyongsan, na Coreia do Norte.
Atualmente, o ex-presidente Yoon está sendo julgado por supostamente ter enviado drones ilegalmente para a Coreia do Norte, com o intuito de criar um pretexto para declarar a lei marcial no final de 2024. Os promotores alegam que Yoon instruiu as forças armadas de Seul a sobrevoarem Pyongyang com drones e a distribuírem panfletos anti-Norte em uma tentativa de provocar uma reação. Yoon e outros supostamente "conspiraram para criar condições" que justificassem essa ação.


