Inteligência Artificial: Brasil se Destaca com Novos Data Centers
O Brasil avança na construção de data centers para IA, atraindo investimentos de gigantes como Amazon e Google, e se tornando referência na América Latina.
No interior de São Paulo, a poucos quilômetros de Campinas, uma obra em Sumaré se destaca e reflete o momento atual que o Brasil está vivendo. A Ascenty está construindo o primeiro complexo de data center do país dedicado exclusivamente à inteligência artificial. Isso, no entanto, não é algo isolado. Na verdade, representa uma parte visível de um movimento maior que está transformando o Brasil em um dos principais destinos globais para investimentos em IA.
Os números são impressionantes. As gigantes do setor, como Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle, planejam investir, juntas, cerca de US$ 725 bilhões em 2026. Esse valor é quase 80% maior do que o que foi gasto em 2025, sendo que três quartos desse total será destinado a infraestrutura relacionada à inteligência artificial: chips, GPUs e, especialmente, data centers. Para se ter uma ideia, esse investimento é equivalente ao PIB de um país de médio porte, e uma parte significativa dele já está com endereço certo no Brasil.
Mas o que faz o Brasil se destacar nesse cenário? A resposta está, em grande parte, na disponibilidade de energia. Um data center projetado para treinar e operar modelos de IA consome entre 60 kW e 1.000 kW por rack — isso é muitas vezes mais do que um rack corporativo tradicional. Portanto, a matriz elétrica se torna um fator crucial na decisão de onde construir esses centros. E é aqui que o Brasil brilha: com uma oferta de energia limpa, abundante e relativamente barata, além de um ambiente regulatório que começa a se alinhar para atrair esses investimentos. O programa Redata, que está em discussão no Congresso, pode ser um divisor de águas. Se aprovado, ele poderá aumentar os investimentos anuais do setor para algo próximo a R$ 100 bilhões, elevando a capacidade instalada de data centers no Brasil de 750 MW para 3 GW até 2032 — um salto impressionante em menos de uma década.
Os dados atuais já colocam o Brasil em uma posição de destaque. O país concentra 48% da capacidade instalada de data centers na América Latina e responde por 71% de tudo o que está em construção na região. Essa liderança praticamente elimina a concorrência com os países vizinhos. Em termos globais, o Brasil ocupa a 12ª posição no ranking de data centers, com cerca de 200 empreendimentos em operação ou em desenvolvimento. As projeções para o médio prazo só reforçam essa tendência. De acordo com o Global Data Center Outlook 2026, o Brasil deve atrair US$ 33 bilhões em investimentos até 2030, sendo um terço desse montante direcionado a ativos imobiliários e o restante a equipamentos e infraestrutura tecnológica.
É interessante notar que boa parte dessa expansão não segue mais o modelo tradicional de data centers próprios. As empresas que precisam de capacidade de processamento estão adotando uma abordagem híbrida: cerca de um terço da infraestrutura é própria, enquanto os outros dois terços são fornecidos por operadores especializados. Isso, sem dúvida, mostra uma mudança significativa na forma como o setor está se desenvolvendo.
