Inflação do Aluguel: IGP-M encerra março com alta de 0,52%
Pressão de alta de preços no IPA veio da agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho, disse economista do Ibre Matheus Dias.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como "inflação do aluguel", registrou uma leve alta de 0,52% em março de 2026, em comparação ao 0,73% de fevereiro. Com essa divulgação, o IGP-M acumula uma deflação de 1,83% nos últimos 12 meses, indicando uma tendência de recuo nos preços. As informações são do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Analisando o desempenho ao longo do último ano, os resultados do IGP-M se dividiram entre altas e baixas. Em março de 2025, o índice havia encerrado em -0,34%. O IGP-M é composto por três componentes principais, sendo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) o mais relevante, representando 60% do total. Em março, o IPA apresentou uma alta de 0,61%.
Matheus Dias, economista do Ibre, destaca que a pressão sobre os preços do IPA foi impulsionada pela agropecuária, com ênfase em itens como bovinos, ovos, leite, feijão e milho. O preço dos ovos, por exemplo, subiu 16,95% em março, após um aumento de 14,16% em fevereiro. O feijão também teve um aumento expressivo de 20,91% em março, seguindo uma alta de 13,77% no mês anterior.
Além disso, Dias ressalta que o cenário internacional, especialmente a situação geopolítica no Oriente Médio, impactou os preços dos derivados de petróleo. Em março, esses produtos subiram 1,16%, contrastando com a deflação de 4,63% registrada em fevereiro, sugerindo uma possível mudança de tendência.
Nos últimos 12 meses, o subgrupo de derivados de petróleo apresenta um patamar de -14,13%. A escalada de tensão no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, afetou as rotas de produção e distribuição de petróleo, impactando os preços globais.
Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do índice. Em março, o IPC subiu 0,30%, sendo a gasolina o item que mais pressionou os custos, com um aumento de 1,12%. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o terceiro componente, registrou uma alta de 0,36%.
O IGP-M é frequentemente utilizado como referência para o reajuste anual de contratos de aluguel e tarifas públicas. É importante ressaltar que uma deflação no IGP-M não implica necessariamente em reajustes negativos nos aluguéis, pois muitos contratos incluem cláusulas que garantem reajustes apenas em variações positivas do índice. A FGV coleta dados continuamente, assegurando a precisão das informações.