Indústrias de Calçados e Têxtil Preveem Queda nas Exportações

Aumento de tarifas dos EUA gera preocupação entre indústrias brasileiras, com projeções de queda nas exportações e na competitividade.

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Indústrias de Calçados e Têxtil Preveem Queda nas Exportações
Divulgação/Vulcabras

A recente decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros trouxe um impacto significativo nas expectativas das entidades que representam as indústrias de calçados e têxtil. A Abicalçados, por exemplo, revisou suas projeções e agora antecipa uma queda de 7,1% nas exportações do setor em 2026, uma mudança considerável em relação à estimativa anterior, que previa uma retração de apenas 3,6%.

Por outro lado, a Abit está preocupada com a competitividade da indústria brasileira, que, segundo eles, ficará ainda mais ameaçada frente aos concorrentes internacionais. A situação é preocupante, pois essa medida pode acelerar a migração de investimentos para outros países do Mercosul. No setor calçadista, a frustração é palpável, especialmente porque os calçados não foram incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo americano, mesmo após intensas negociações em Washington.

Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, destacou que essa tarifa não só prejudica os produtores brasileiros, mas também afeta os consumidores americanos. Isso porque a produção interna nos Estados Unidos responde por apenas cerca de 1% do consumo total de calçados. A Abit, por sua vez, apontou que essa sobretaxa se soma a um cenário já complicado para o setor, com as exportações brasileiras de têxteis e confeções para os EUA apresentando uma queda de quase 12% em valor no primeiro semestre deste ano. Apesar disso, o mercado americano ainda se destaca como o principal destino das vendas externas de vestuário brasileiro.

Além disso, o executivo da Abit ressaltou que a nova tarifa faz pouco sentido do ponto de vista comercial, já que o Brasil já enfrenta um déficit na balança comercial de têxteis e produtos confeccionados com os Estados Unidos. A entidade também expressou surpresa com a lista de produtos que ficaram isentos da sobretaxa. Na visão da Abit, essa nova tarifa pode acelerar um movimento que já estava em curso entre as empresas brasileiras: a transferência de parte da produção para o Paraguai.

Apesar de todas essas críticas, tanto a Abit quanto a Abicalçados acreditam que a solução deve ser buscada por meio de negociação entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, e não por meio de uma escalada de medidas de retaliação.

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