Índia: Prisão de Líderes do Movimento 'Baratas' e Mil Detidos
A polícia de Nova Délhi detém mais de mil manifestantes, incluindo líderes do CJP, em operação contra protestos pela renúncia do comissário eleitoral.
Data e Hora Atual: 10/10/2026, 11:18:01
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Atualização: 10/10/2026, 10h33
Atualizado há 30 minutos
A polícia de Nova Délhi realizou, neste sábado (10), uma operação que resultou na detenção de mais de mil pessoas. Entre os detidos, estavam manifestantes, políticos de oposição, jornalistas, líderes estudantis, advogados e até mesmo os fundadores do movimento juvenil conhecido como Cockroach Janta Party (CJP, ou Partido do Povo das Baratas). Essa ação visava, aparentemente, impedir um grande protesto que pedia a renúncia do comissário-chefe eleitoral da Índia, Gyanesh Kumar.
A capital indiana acordou sob um forte bloqueio, com milhares de policiais e paramilitares patrulhando as ruas. O acesso à cidade foi severamente restringido: trens foram cancelados, a internet móvel foi suspensa, e estações de metrô e mercados permaneceram fechados. Estima-se que cerca de 60 mil agentes tenham sido mobilizados na sexta-feira (9), segundo uma fonte bem informada. Além disso, as autoridades solicitaram que operadoras de telecomunicações desativassem a internet em áreas próximas ao local do protesto por aproximadamente 24 horas.
O CJP planejava reunir uma multidão em Jantar Mantar, uma área designada para manifestações no coração de Délhi. No entanto, antes que o ato pudesse começar, o local foi isolado pelas forças de segurança.
O fundador do movimento, Abhijeet Dipke, e dois de seus colaboradores foram detidos dentro de um avião da Air India logo após pousarem em Nova Délhi, vindos de Mumbai. Em um vídeo divulgado no Instagram, Dipke aparece diante de policiais que entraram na aeronave, afirmando: “Vim para ser preso. Não tenho medo de vocês.”
Entre os detidos, estavam também o youtuber Dhruv Rathee, conhecido por suas críticas ao primeiro-ministro Narendra Modi, a presidente da Associação de Estudantes de Toda a Índia (AISA), Neha Bora, o advogado da Suprema Corte Prashant Bhushan e o ativista Yogendra Yadav, entre outros. Enquanto isso, pequenos protestos ocorreram em diferentes partes da cidade, mas muitos jornalistas e manifestantes acabaram sendo levados em ônibus da polícia.
Sambit Patra, porta-voz do Partido do Povo Indiano (BJP), liderado por Modi, rotulou os manifestantes como “elementos anárquicos”. Ele afirmou: “O que está acontecendo em Jantar Mantar, o que se vê na TV e em alguns perfis de redes sociais, não representa a história da Índia. A Índia está calma e avançando sob uma boa governança.”
O presidente do Partido do Congresso, Mallikarjun Kharge, não deixou de criticar as detenções, afirmando: “O governo Modi transformou a ‘Mãe da Democracia’ em uma ‘Democracia Amordaçada’”, em uma mensagem na rede X.
Organizações como a Anistia Internacional exigiram a libertação imediata de todos os detidos apenas por exercerem seu direito à livre expressão e à reunião pacífica. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) também se manifestou, pedindo a soltura dos profissionais da imprensa.
Os manifestantes acusam o BJP de manipular a Revisão Intensiva Especial (SIR) das listas eleitorais para influenciar resultados, em conluio com membros indicados pelo governo para a comissão, incluindo Kumar. Partidos de oposição afirmam que a exclusão de eleitores impactou as recentes eleições estaduais, que foram vencidas pelo BJP.
A onda de protestos continua a ganhar força em meio a esse cenário tenso.


