Inclusão de Catadores na Cadeia Global de Biocombustíveis
Brasil avança na inclusão de catadores na produção de biocombustíveis, promovendo sustentabilidade e cidadania durante a Hannover Messe 2026.
Durante a Hannover Messe 2026, o Brasil dá passos significativos para incluir catadores e cooperativas na cadeia produtiva dos biocombustíveis. O foco está na captação de óleo residual, especialmente o óleo de cozinha usado. Essa iniciativa é resultado da colaboração entre empresas brasileiras e o Sebrae, que trabalha na capacitação e formalização de pequenos negócios e cooperativas de reciclagem. O objetivo é estabelecer uma rede nacional que conecte coleta, logística e indústria de forma eficaz.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, enfatiza que a missão da instituição é transformar pequenos negócios em fornecedores qualificados para as cadeias produtivas. “Esse anúncio está diretamente ligado à economia circular, com um impacto significativo na economia global. Os catadores agora integram uma cadeia que valoriza a sustentabilidade e a cidadania, aumentando o valor do trabalho dos catadores e catadoras”, afirmou.
Essa iniciativa traz benefícios ambientais ao evitar o descarte inadequado do óleo residual, que poderia poluir rios e sistemas aquáticos. Além disso, gera renda e oportunidades para quem mais precisa. Sob a perspectiva industrial, torna-se uma fonte sustentável de matéria-prima reconhecida globalmente.
Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, destacou a importância de garantir a origem e o controle de todo o processo para atender mercados exigentes, incluindo internacionais. “Com tecnologia simples, muitas vezes disponível em aplicativos, conseguimos registrar a coleta e a entrega da matéria-prima, permitindo medir ganhos ambientais e monetizar créditos de carbono”, explicou.
O Sebrae já atua com centenas de cooperativas em mais de 20 estados, acelerando a implementação da iniciativa, especialmente em regiões próximas às plantas industriais. Isso reduz custos logísticos e aumenta a eficiência operacional. “Estamos falando de geração de renda, fortalecimento de cooperativas e descarbonização das cidades. Não há sustentabilidade sem inclusão e oportunidades econômicas”, complementou.
Na sequência da agenda em Hannover, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o potencial dos biocombustíveis brasileiros. Ele afirmou que a tecnologia nacional demonstra competitividade ambiental e pode ser rapidamente aplicada em grandes centros urbanos. Representantes do setor afirmaram que a transição do diesel convencional para biocombustível em ônibus urbanos pode ser feita com adaptações simples, resultando em uma redução de até 99% na emissão de fumaça preta e contribuindo para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.
