
Incerteza no Julgamento de Mendonça após Adiamento no STF
O julgamento de André Mendonça, agendado para 23 de setembro, enfrenta incertezas após o adiamento do caso de Moraes no STF, com implicações significativas.
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Data de publicação original: 16/09/2026, 14:10. O julgamento de André Mendonça, que estava previsto para a próxima quarta-feira, dia 23, agora se encontra em um cenário de incerteza. Isso ocorreu após o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrar a sessão dedicada ao caso de Alexandre de Moraes sem chegar a uma decisão. O presidente da Corte, Edson Fachin, está avaliando se ainda é viável manter a análise na data prevista.
A dúvida surgiu porque o plenário não conseguiu resolver uma questão anterior: as acusações que envolvem Moraes e Mendonça devem ser analisadas separadamente? Flávio Dino pediu vista nesse ponto específico durante a votação, o que interrompeu o julgamento por um prazo que pode chegar a 90 dias.
O caso previsto para discussão no dia 23 envolve questionamentos sobre a atuação de Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master, incluindo um pedido para apurar um possível abuso de autoridade. Embora exista uma tendência entre os interlocutores da Corte em favor do adiamento, a decisão final cabe a Fachin.
O pedido de vista de Flávio Dino suspendeu a análise antes que o plenário decidisse se o ministro deve ser investigado. Segundo a regra, esse prazo pode se estender por até 90 dias.
Na sessão desta terça-feira, dia 15, convocada para discutir o relatório da Polícia Federal, Alexandre de Moraes foi identificado como interlocutor de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Contudo, antes que o STF pudesse entrar no mérito sobre uma possível investigação do ministro, Gilmar Mendes levantou uma questão de ordem.
Gilmar defendeu que o caso de Moraes fosse adiado e analisado em conjunto com o procedimento sobre Mendonça na data marcada, sugerindo uma nova distribuição da relatoria. A votação ficou, por enquanto, em 4 a 3 a favor da manutenção dos processos separados. Fachin, Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia optaram por não unificar os casos, enquanto Gilmar, Moraes e Cristiano Zanin votaram pela reunião. Dino, que inicialmente acompanhou o segundo grupo, pediu que seu voto não fosse computado após solicitar vista.
Assim, o Supremo deixou uma questão em aberto, impactando diretamente a próxima sessão: será que o processo de Mendonça pode avançar enquanto a Corte ainda não decidiu se ele deve tramitar junto ao caso de Moraes? Dino pediu vista após uma discussão acalorada entre Gilmar Mendes e André Mendonça, que elevou a tensão no plenário. O confronto ocorreu quando Mendonça comentava as referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, encontradas no material da Polícia Federal sobre Vorcaro.
Mendonça declarou não identificar, no conteúdo tornado público, elementos suficientes para atribuir uma atuação irregular a Gonet. Gilmar, por sua vez, reagiu em defesa do procurador-geral, acusando o colega de fazer ilações. “É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto sim é leviandade”, afirmou Gilmar.
A discussão rapidamente se intensificou, com ataques pessoais emergindo. “É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, disse Mendonça.
Atualizado há 9 horas
No Supremo, há quem aposte que uma solução possa só começar a se desenhar após as eleições e um dos caminhos seria avançar com medidas não só contra Moraes e Mendonça, mas também em relação aos demais integrantes da Corte que tiveram menções no caso Master ou parentes. Mas, por enquanto, não há indicação de que nenhuma ala mostre disposição de fazer alguma composição.