IBM e o impacto da IA: CEO admite falha na previsão
Queda de 25% nas ações da IBM revela mudanças drásticas nas prioridades de investimento em tecnologia, com foco em infraestrutura de IA.

A febre da inteligência artificial está, sem dúvida, deixando sua marca profunda no mercado de tecnologia. Na última terça-feira, dia 14 de julho, a IBM enfrentou uma queda impressionante de 25% nas suas ações na bolsa de Nova York, a maior desde 1972. O CEO da empresa, Arvind Krishna, reconheceu em uma carta aos investidores que “não previmos a magnitude da repriorização dos investimentos de capital”.
O que está por trás da turbulência histórica
Basicamente, é a corrida das corporações para estabelecer grandes infraestruturas de IA, um movimento que acabou desacelerando as vendas de softwares e afetando financeiramente a IBM e outras empresas no segundo trimestre deste ano.Krishna comentou que, nas últimas semanas de junho, muitos clientes começaram a redirecionar seus gastos trimestrais de capital, priorizando a compra de servidores, armazenamento e memória, tudo para assegurar infraestrutura em um cenário de oferta limitada antes dos aumentos de preços que se esperam. Ele observou que “diversos grandes negócios” não foram fechados como o esperado.
De acordo com a Reuters, essa queda acentuada das ações pode custar à IBM até US$ 70 bilhões (cerca de R$ 356 bilhões na cotação atual) em valor de mercado. No momento, a empresa está avaliada em aproximadamente US$ 272,7 bilhões (R$ 1,4 trilhão).
Mudanças nas prioridades de tecnologia
As prioridades dos departamentos de tecnologia mudaram drasticamente em todo o mundo. O que antes era orçamento destinado a sistemas e programas corporativos da IBM agora está sendo redirecionado para a compra de hardware. As empresas estão correndo para garantir acesso a servidores e chips, que são essenciais para rodar IA, em um setor que já enfrenta uma escassez severa.Krishna, em sua carta aos investidores, destacou que essa mudança de dinâmica pegou a companhia de surpresa. Ele mencionou que as empresas não apenas redirecionaram seus gastos, mas também travaram grandes negócios que pareciam certos. Vale lembrar que, no final do ano passado, Krishna já havia criticado os gastos com IA.
O impacto da segurança cibernética
Além da corrida por hardware, um segundo fator que está drenando o orçamento de TI das empresas é a segurança cibernética. Com a chegada de modelos de IA avançados, como o Mythos da Anthropic, as empresas estão intensificando seus investimentos em segurança. Essas novas IAs são capazes de identificar rapidamente vulnerabilidades em softwares, oferecendo uma vantagem técnica sem precedentes para hackers e, consequentemente, exigindo investimentos robustos em defesas digitais.Esse cenário desafiador atingiu em cheio a IBM, que agora projeta um aumento de receita de apenas 1% para o segundo trimestre, totalizando US$ 17,2 bilhões (R$ 87,5 bilhões). Esse número representa o menor crescimento em mais de um ano e fica aquém da projeção de US$ 17,8 bilhões (R$ 90,8 bilhões) feita pelos analistas.
Os dados oficiais da empresa devem ser divulgados na próxima semana, no dia 22 de julho. Esse alerta gerou uma onda de apreensão em Wall Street, quanto ao futuro do setor de software, que já vinha enfrentando pressão devido à ascensão de IAs capazes de programar e automatizar tarefas. Essa insegurança se refletiu em grandes empresas como a Microsoft, que também registraram quedas em suas ações, variando entre 2% e 5% na terça-feira.
